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Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

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Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Robson Z. Conti em 31st Julho 2015, 03:51

(E se o universo se resumisse à Terra?)

Observação: A citação abaixo foi postada em outro tópico, aberto pelo nobre colega Walter Lukschal para discutir a teoria dele a respeito da causa da Gravidade. Enquanto ele esteve ausente, alguns participantes acabaram tratando de alguns detalhes ligados à tese proposta, principalmente a respeito da validade da Segunda Lei da Termodinâmica (também refutada pelo nobre colega), quando foi proposto um experimento mental com o isolamento da Terra para verificar se ela entraria em equilíbrio térmico com a força gravitacional continuando a produzir calor nas profundezas do planeta.

Como este assunto é sujeito a pontos de vista muito distintos, pode ser abordado de inúmeras maneiras e em função disto gerar um debate mais longo e intenso, preferimos transportar a troca de ideias para outro tópico, para não descaracterizar demais o tópico aberto pelo nobre colega Walter Lukschal.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:Bem, Robson, como você mesmo afirma: tudo é igual?
Talvez não nos expressamos bem. Digamos que todo o universo resuma-se no planeta Terra.
Essa porção material, do modo como você enxerga a matéria, não seria suficiente para criar um ecossistema cósmico completo?
Sim, é tudo igual.

Tão igual que para que as coisas existam e funcionem da maneira que ocorre na natureza, todas elas necessitam de um sistema completo que lhes propicie matéria prima, energia e mecanismo de constituição e sustentação, ou seja, plausibilidade existencial e funcional.

Forneci exemplos disto quando disse que nêutrons são naturalmente estáveis apenas dentro de núcleos atômicos, pessoas apenas onde existe pressão atmosférica e estrelas apenas onde existe gravidade.

A existência de determinadas estruturas pressupõe as condições para tanto. Não podemos dissociar o aparecimento da copa de uma árvore da necessária contribuição de seu tronco seu tronco e raízes. O mesmo se aplica à Terra e a qualquer outra estrutura.

Em relação à hipótese de todo o universo resumir-se ao planeta Terra, conforme disse mais acima, isto pode ser visto com diferentes enfoques. Se não sabemos o que é a gravidade, há várias soluções possíveis. Ela é, ou aparenta ser...

- Barométrica /centrípeta e dependente do restante do universo para Newton (e para mim também),
- Geométrica e dependente do restante do universo para Einstein,
- Térmica/centrípeta e dependente do restante do universo para o nobre colega Walter Lukschal,
- Expansionista-radial/atrativa(?) e aparentemente dependente do restante do universo para o nobre colega Jonas,
- Estatística/atrativa(?) para os adeptos dos grávitons (se alguém me disser como encontrar este tal de gráviton eu ficarei eternamente grato),
- Característica intrínseca da matéria/atrativa para o senso comum.
- E uma calamidade para quase todo mundo (com o tempo tudo cai, ai-ai...).

Segundo o meu amigo Einstein o espaço tempo foi produzido pelos campos emanados da matéria, de forma que a matéria antecedeu o espaço-tempo. Segundo ele, “um espaço vazio, isto é, um espaço sem campo, não existe” (por isso eu postei outro dia que, se o universo desaparecesse, nem espaço-tempo existiria pela concepção relativista).

No meu modelo predileto a gravidade também é função da existência de toda uma estrutura universal e, em função disto, eu resisti a considerar a Terra como o único objeto no universo.

Levando em consideração estes detalhes, vamos tentar fazer as coisas de várias maneiras, de modo a procurar contemplar as distintas visões, e tentar prever o que poderia acontecer.

Cenário 1 - Vamos supor que exista um planeta muito parecido com a Terra (vamos chamá-lo de planeta J) que vague perdido no espaço intergaláctico por algum motivo.

A distância deste planeta J até qualquer outra estrutura será tão elevada que a ele não chegaria luz. Assim, ele estaria termicamente isolado, mas cercado de universo por todos os lados. O que ocorreria com este planeta? Entraria em equilíbrio térmico ou não?

No meu sempre humilde ponto de vista, enquanto existir “um universo inteiro lá fora” haverá gravidade e com isto não haverá equilíbrio térmico, pois a gravidade sempre vai produzir maior aquecimento em regiões interiores do planeta J e menor aquecimento em regiões periféricas do mesmo.

Isto refuta a Segunda Lei? Não, pois não se pode blindar a gravidade, e ela repõe energia ao “pressionar” o planeta J (da mesma maneira que o mestre Newton eu tenho a força gravitacional como uma força centrípeta).

Neste cenário seria mantido um equilíbrio relativo entre a entropia e a gravidade, conforme temos hoje.

Cenário 2 - Vamos agora tirar o planeta J do próprio universo. O que ocorreria?
Se a força gravitacional for resultante da estrutura cósmica, o planeta J ficaria sem ela.

O livro “Uma biografia do Universo” (Fred Adams e Greg Laughlin, Jorge Zahar Editor) especifica o que se passaria em um local sem gravidade, o que ocorreria em algumas concepções, caso o universo desaparecer (ou sairmos dele): “se a força da gravidade fosse interrompida de algum modo, o Sol não mais ficaria confinado e se expandiria rapidamente. Esta dispersão prosseguiria até o material solar espalhar-se numa camada suficientemente fina para se equiparar às baixíssimas densidades do espaço interestelar. O fantasma rarefeito do Sol ficaria então com uma extensão de diversos anos-luz, com aproximadamente 100 milhões de vezes seu tamanho atual”.

Neste cenário, a entropia teria vencido a gravidade. Estaríamos diante de uma fase avançada do tão temido equilíbrio térmico com o espaço interestelar. A "Segunda Lei" teria sido vitoriosa (se bem que ainda faltariam alguns estágios antes da morte térmica do planeta J).

Cenário 3 - Agora a hipótese mais complicada para mim e aparentemente a mais simples para algumas pessoas, pois finalmente vamos fazer as coisas da maneira proposta: imaginemos que este planeta seja o próprio universo (desculpem a demora em chegar até este ponto, alguns cenários pedem extrema cautela).

Para o senso comum, a gravidade é uma força atrativa, uma característica intrínseca de objetos massivos (matéria bariônica/degenerada). Se assim for considerado e “todo o universo resuma-se no planeta Terra”, teremos uma situação que em última instância será idêntico ao cenário 1, no qual o planeta estaria termicamente isolado do universo mas ainda dentro dele.

Pois se a gravidade continuar a existir, visto que nesta hipótese ela é uma característica intrínseca da matéria, ela continuará a “atrair” tudo para o seu núcleo e as regiões centrais do planeta continuarão a ser mais aquecidas do que as regiões periféricas. Não haveria, portanto, equalização térmica, um equilíbrio relativo entre a entropia e a gravidade continuaria e ainda teríamos um problemão nas mãos.

E por que teríamos um problemão nas mãos? Mais acima eu disse que esta hipótese é a mais complicada para mim. E por quê?

Porque neste caso a gravidade produziria efeitos (aquecimento, trabalho) sem fonte alguma de energia, seria um completo disparate lógico, uma aberração da natureza, uma contradição impensável, efeito sem causa, o milagre dos milagres (e eu não acredito em milagres).

É por este tipo de contradição, a que sempre se chega quando se analisa o balanço energético usando alguns cenários atualmente mais populares, que eu não consigo ver a força gravitacional como característica intrínseca da matéria, e sim como algo que depende de um sistema mais complexo e bem estruturado, com fonte de recursos (matéria, energia, espaço, tempo) adequada e sustentável, ou seja, com a plausibilidade existencial necessária a que não necessitemos crer em milagres e, de preferência, também plausibilidade funcional necessária a não termos de postular hipóteses que desdenham do bom senso, zombam da lógica e jogam na lata de lixo o princípio da causalidade e boa parte das leis da física.

Isto pede, portanto, um sistema sustentável, tal qual eu tenho descrito há algum tempo. Por imperfeito ou equivocado que possa estar, tenta apresentar alguma plausibilidade existencial e funcional.

Cordiais abraços a todos

P.S.: Não foi tratado aqui nenhum cenário em que a gravidade sobrepujasse a entropia, mas considero que todos sabem o resultado: ela esmagaria tudo na região em que fosse vencedora. Ou seja, se a gravidade vence, ela esmaga, se a entropia vence, ela pulveriza.

É fundamental, portanto, que esta batalha sempre se mantenha, que o equilíbrio relativo se mantenha, que não haja vencedor nesta guerra. Pois, apesar de termos efeitos opostos com a vitória de uma ou de outra, para as estruturas (e nós também), o resultado final seria o mesmo e exatamente este, seria o fim de tudo.

Mas e a poderosa Segunda Lei da Termodinâmica, não é válida? Sim, claro que é, mas para sistemas físicos fechados, os quais sempre evoluem para estados de energia mais fraca e para uma desordem crescente.

Só que eu não tenho conhecimento de nenhum sistema totalmente fechado no tempo e no espaço, não se pode blindar a gravidade e ela é inerentemente existente em nosso universo da mesma forma que a pressão atmosférica é inerente em nosso planeta, equilibrando a balança com a entropia e proporcionando condição para a formação e manutenção de estruturas (e de nós também, ainda bem!).

Mais abraços

Robson Z. Conti
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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Jonas Paulo Negreiros em 1st Agosto 2015, 11:27

Robson,

Para entendermos o que é gravidade, teremos de saber o que é matéria. E, para entendermos ambas, teremos que descobrir o que é inércia.

Não conhecemos o mecanismo que justifica a inércia, no entanto sabemos as condições em que ela se manifesta.


"A impossibilidade de penetrar o esquema divino do universo não pode, contudo, impedir-nos de planejar esquemas humanos, mesmo que nós estabelecemos que eles são provisórios."

Jorge Luiz Borges, escritor argentino.


Robson comenta:
Expansionista-radial/atrativa(?) e aparentemente dependente do restante do universo para o nobre colega Jonas

À proposito, meu modelo cosmológico é repulsivo (por que não repugnante?), em todos os sentidos e concepções Razz . Não importa o tamanho do cosmos.

Porque neste caso a gravidade produziria efeitos (aquecimento, trabalho) sem fonte alguma de energia, seria um completo disparate lógico, uma aberração da natureza, uma contradição impensável, efeito sem causa, o milagre dos milagres (e eu não acredito em milagres).

O modelo expansionista (porém não-colonialista  Razz !) depende de energia, inércia e depende de um ponto de origem, algo que detona com a teoria da relatividade de nosso amigo Einstein.

A gravidade é reação da entropia. A energia que promove a entropia é o milagre.

Isso é ciência?

Se tudo que conhecemos são produtos de milagres, não serão os ateus que conseguirão justificar o cosmos...
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Jonas Paulo Negreiros
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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Robson Z. Conti em 2nd Agosto 2015, 03:08

Jonas Paulo Negreiros escreveu:Para entendermos o que é gravidade, teremos de saber o que é matéria. Para entendermos o que é gravidade, teremos de saber o que é matéria.
Não tenho certeza se é necessário tanto assim. Mas pode ser que o nobre colega tenha razão.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:E, para entendermos ambas, teremos que descobrir o que é inércia.
Pode ser que eu esteja equivocado mas, se é só descobrir o que é inércia, parece que não está tão difícil.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:Não conhecemos o mecanismo que justifica a inércia, no entanto sabemos as condições em que ela se manifesta.
A mim parece que a inércia é a coisa mais simples de todas, pois não depende de absolutamente nada a não ser nada acontecer. Ela é apenas a percepção de que, se nada ocorre de diferente, tudo continua como está (parado ou em movimento na mesmíssima velocidade e sentido). Para tanto não é necessário nenhum mecanismo.

O grande problema é que este é um universo dinâmico. É como disse o meu amigo Einstein “A vida é como andar de bicicleta, para manter o equilíbrio é preciso se manter em movimento...”. Só que o caso das estruturas atômicas (e todos nós somos feitos de átomos) é mais complicado pois, se pararem, dissolvem-se.
Jorge Luiz Borges escreveu:"A impossibilidade de penetrar o esquema divino do universo não pode, contudo, impedir-nos de planejar esquemas humanos, mesmo que nós estabelecemos que eles são provisórios."
Este me parece o objetivo e a sina da Ciência (e principalmente da Filosofia).
Jonas Paulo Negreiros escreveu:A gravidade é reação da entropia.
Não sei se poderíamos ver as coisas desta maneira. Vejamos, em um vaso de pressão, o que seria a pressão? Do mesmo modo que o mestre Newton eu atualmente considero que a Gravidade é uma força centrípeta, da mesma maneira que a força exercida pela pressão atmosférica.

Do Newton para cá muita coisa mudou e a tese que o mestre considerava “The unique hypothesis by which gravity can be explained is however of this kind” é considerada obsoleta pela corrente majoritária, o famigerado “mainstream”. Pelo menos por enquanto eu entendo que isto é provisório, da mesma forma que comemoramos que podíamos produzir o nada quando conseguimos fazer vácuo suficiente para impedir que uma parelha de cavalos afastasse duas peças com vácuo dentro e agora temos a morte do nada declarada pela ciência de ponta. Vamos aguardar.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:A energia que promove a entropia é o milagre.
Aparenta-me que não chega a tanto. Assim como a gravidade tem característica centrípeta (em direção ao centro), a entropia, opondo-se a ela diametralmente (ou radialmente, neste caso), apresenta característica intrinsecamente centrífuga (fuga do centro).

Mas qual seria a causa primária disto, qual a fonte da força que tenta impelir tudo para fora de modo a se distanciarem e até explodirem (a situação é efetivamente séria, se um habitante deste planeta for levado ao espaço sem a devida proteção, ele explode)?

Aparentemente a coisa pode não ser tão complicada a ponto de ser necessário um milagre. Se concordarmos que...

a. A matéria bariônica é constituída de átomos, os quais se combinam em moléculas;
b. Elétrons sempre ocupam a região externa das moléculas;
c. Elétrons apresentam forte carga elétrica negativa;
d. Objetos e partículas dotados de carga negativa se repelem fortemente (com força entre 1036 e 1040 maior que a força gravitacional).

Então (ou seja, se considerarmos a todas estas premissas como verdadeiras),

A matéria vai sempre experimentar uma forte força de repulsão entre suas moléculas.

Este tipo de raciocínio é conhecido como silogismo e, a não ser que uma ou mais das premissas (a, b, c, d) sejam consideradas falsas, a conclusão terá validade lógica irrefutável, de modo que poderemos afirmar categoricamente que estamos diante de uma representação da Verdade ou da Realidade.

Isto é, se não conseguirmos refutar este silogismo, não será necessário um milagre para explicar o que produz a entropia.

Na postagem de abertura deste tópico, foi explicado o que ocorreria se a gravidade deixasse de existir e que ela se contrapõe à força eletrostática pressionando a matéria, mantendo-a compactada. Mas para tanto é necessária uma quantidade extremamente elevada de matéria, pois a força eletrostática é de 36 a 40 ordens de grandeza mais potente que a gravitacional.

Só faltou, como sempre falta, dizer qual a fonte de energia para estas forças, que tanto a Gravidade quanto os elétrons (eletrostática) exercem. Afinal, de onde vem toda esta energia? Eu já falei sobre isto de forma bem superficial na postagem de abertura deste tópico e vou tentar detalhar um pouco mais, tentando não alongar demais o texto.

No meu modelo favorito, este universo está contido (por autocontenção, da mesma maneira que a atmosfera terrestre é autocontida), o que faz dele um imenso vaso de pressão, o qual possui uma quantidade extremamente elevada de objetos e partículas de matéria bariônica, matéria degenerada, poeira, gases e partículas elementares de matéria (às quais tenho denominado préons), o que forma algo que poderia ser chamado de “atmosfera cósmica”.

O modelo prevê que o que isola o interior deste “vaso” (este universo ) das regiões externas a ele e retém o seu conteúdo é uma descontinuidade, da mesma forma que a atmosfera terrestre é isolada do espaço exterior principalmente por uma descontinuidade chamada tropopausa (além dela existem a estratopausa, a mesopausa, a termopausa e a exopausa) e a heliosfera isola o conteúdo do sistema solar do espaço interestelar.

A pressão que este conteúdo exerce sobre todos os corpos do universo em todos os sentidos e direções, de forma centrípeta portanto, seria a força gravitacional, da mesma forma que a pressão atmosférica pressiona o que há na Terra. O fato desta força ter alcance universal é devido ao Efeito de Pascal, no qual a alteração de pressão produzida num fluido em equilíbrio transmite-se integralmente a todos os pontos do fluido e às paredes do recipiente.

O motivo de a força gravitacional ser tão fraca em relação à força eletrostática é derivado da diferença de densidade entre o elétron (1013 Kg/m3) e o espaço intergaláctico (10-25 Kg/m3), emblematicamente a mesma diferença média entre as forças eletrostática e gravitacional (38 ordens de grandeza).

É em função deste tipo de detalhe que eu estou atualmente bastante desconfiado de que a densidade governa o universo.

Mas isto apenas explica (ou tenta explicar) o que seria a força gravitacional (pressão cósmica) sem especificar a fonte da pressão com que ela nos pressiona.

Da mesma maneira que aqui na Terra* a atmosfera é reposta por um mecanismo que envolve subducção de carbono em placas tectônicas nas fossas submarinas (“oceanic trench”) e sua reemissão em dorsais submarinas (“mid-ocean ridge”) e vulcões, também neste universo o mesmo mecanismo existiria, com a diferença que no universo tanto a subducção quanto a reemissão seriam feitas pelos buracos negros estelares e supermassivos.

A maneira como os buracos negros fariam isto seria pela atração de material através dos seus discos de acresção em seu plano equatorial (nós moramos no disco de acresção do buraco negro supermassivo existente no núcleo da Via Láctea), o esmagamento do material tragado e a reemissão de uma parcela dele, já pulverizado, através de jatos polares (bipolar outflow),

Além disto, o meu modelo favorito prevê que este universo contaria com uma região diferenciada, encontrada por Alexander Kashlinsk, astrofísico NASA, denominada região do fluxo escuro (dark flow)que recebe constantemente energia e material proveniente de um dos jatos polares de um descomunal buraco negro...
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e4/UniversoSustentavelTerra.png
...o que contribuiria para a manutenção da “pressão cósmica” em níveis estáveis, e com ela a força gravitacional.

Ou seja, o modelo prevê que o evento que produziu a região na qual vivemos (um dos lóbulos da figura acessável no link acima e que seria uma parcela deste universo) está ainda em andamento, auxiliando a manutenção da estabilidade da pressão/força gravitacional e fornecendo energia para a expansão cósmica, através do que passou a ser conhecido como energia escura.

Mas isto explica apenas a força gravitacional e a fonte energia para a mesma. De onde viria a energia para sustentar e manter estável o campo eletrostático (e com ele o magnético) dos átomos por bilhões de anos?

Neste cenário, a explicação da estabilidade dos prótons está no ambiente em que se encontram e em sua constituição. Sendo constituídos de partículas subatômicas elementares, as quais seriam onipresentes no ambiente atômico como o ar é em nossa atmosfera, e o ambiente todo estando a rotacionar (ou seja, o universo estaria girando da mesma maneira que galáxias espirais), se formariam pequenos vórtices que seriam como pequenas bombas centrífugas com duas saídas imersas em um tanque de fluído, que reciclariam constantemente as tais partículas elementares.

Estes jatos polares emitidos pelos prótons seriam, em termos fundamentais, o que conhecemos por carga elétrica positiva, enquanto que a região equatorial dos prótons, na qual teríamos discos de acresção, seria o que conhecemos como carga elétrica negativa. Assim, a carga elétrica seria, neste modelo, a capacidade de uma estrutura injetar ou retirar partículas elementares de matéria do ambiente que se encontram.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5d/ProtonHydrodynamicsModel.png

Considero extremamente emblemático que em um modelo que propõe que é tudo igual a representação esquemática de um simples próton seja análoga à representação deste universo...
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/24/UniversoSustentavelFluxoEnergiaEscura.png
... que por sua vez se parece bastante com uma galáxia espiral...
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010130120602-bolha-via-lactea.jpg
... que por sua vez seja similar a um buraco negro...
http://www.nasa.gov/centers/goddard/images/content/96552main_jet_schematic.jpe
... que por sua vez funcionaria como o nosso querido planeta.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e4/UniversoSustentavelTerra.png
... e ainda explicaria a origem da força gravitacional e dos campos que mantém a estrutura da matéria sem recorrer a nenhum milagre e nem violar o princípio da causalidade, as Leis de Newton, a Segunda Lei da Termodinâmica ou qualquer outro princípio da Física Clássica, diretamente observáveis por todos.

*O mesmo ocorre em Vênus onde temos vulcanismo muito mais ativo e pressão atmosférica mais de cem vezes a da Terra mesmo em um planeta de menor massa.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:Isso é ciência?
O meu amigo Einstein dizia que “há duas formas para viver sua vida: uma é acreditar que não existem milagres. A outra é acreditar que todas as coisas são milagres”.

Seja qual for a opção que descreva a realidade, entendo que, independente da posição filosófica/espiritual de cada um, a ciência humana, sendo laica, deve ao menos tentar descobrir como e o porquê das coisas serem como são e funcionarem como funcionam, sem ter de considerar os milagres ou, se a pessoa assim desejar, tentar descobrir como Deus fez o mundo, ou seja, os pensamentos d’Ele, como o meu amigo Einstein dizia que estava fazendo.

Cordiais abraços a todos

P.S.: Desculpem pelo volume do texto. O assunto pede algum detalhamento.

Robson Z. Conti
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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Jonas Paulo Negreiros em 2nd Agosto 2015, 12:40

Sobre inércia...

A inércia depende de um referencial. Então não é um problema tão simples. O referencial é absoluto ou relativo?

Sobre pressão atmosférica...

O nobre colega Robson afirma que a manutenção da atmosfera depende de atividade vulcânica.

Pergunto:

1 - Quando cessar a atividade vulcânica na Terra, esta perderá sua atmosfera?

2 - Se Júpiter é um planeta gasoso, por que se mantém íntegro, isto é: não se dissipou até agora?

3 - A pressão atmosférica de Vênus pode estar somada a pressão atmosférica do Sol?

Leitura recomendada:

Uma lua tem a maior atividade vulcânica de todo o sistema solar

http://gizmodo.uol.com.br/uma-lua-tem-a-maior-atividade-vulcanica-de-todo-o-sistema-solar/

Pergunto:

4 - Será que essa lua tem atmosfera?
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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Robson Z. Conti em 2nd Agosto 2015, 14:02

Jonas Paulo Negreiros escreveu:A inércia depende de um referencial. Então não é um problema tão simples. O referencial é absoluto ou relativo?
A inércia não depende de nada, a não ser não fazer nada. Por que dependeria de referencial? Estou cada vez mais desconfiado que este tipo de "minhoca" complicadora é que levou a física para o beco sem saída em que se encontra.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:Quando cessar a atividade vulcânica na Terra, esta perderá sua atmosfera?
Se a atividade vulcânica um dia cessasse, o que não creio que ocorra antes da fase gigante vermelha do Sol quando seremos engolidos por ele, com o passar de (muito) tempo, perderia quase toda. Aos poucos teríamos o destino de Marte.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:Se Júpiter é um planeta gasoso, por que se mantém íntegro, isto é: não se dissipou até agora?
Júpiter não é gasoso. Nós jamais vimos Júpiter, apenas as altas camadas de sua atmosfera.
https://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BApiter_(planeta)#/media/File:PIA02863_-_Jupiter_surface_motion_animation.gif
Em seu interior há regiões com dezenas de milhares de graus e densidade de milhares de GPa.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:A pressão atmosférica de Vênus pode estar somada a pressão atmosférica do Sol?
Não entendo como poderia estar.
Jonas Paulo Negreiros escreveu:Uma lua tem a maior atividade vulcânica de todo o sistema solar
http://gizmodo.uol.com.br/uma-lua-tem-a-maior-atividade-vulcanica-de-todo-o-sistema-solar/
Pergunto: 4 - Será que essa lua tem atmosfera?
Muito pouca. O caso de Io, satélite natural de Júpiter, é muito específico. Devido à sua grande proximidade com Júpiter, os gases sofrem influência gravitacional muito grande e escapam para o espaço. Ainda assim esta fina atmosfera tem centenas de quilômetros de espessura.

Cordiais abraços a todos

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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Bosco em 8th Setembro 2015, 00:28

Robson Z. Conti escreveu:
Jonas Paulo Negreiros escreveu:A inércia depende de um referencial. Então não é um problema tão simples. O referencial é absoluto ou relativo?
A inércia não depende de nada, a não ser não fazer nada. Por que dependeria de referencial? Estou cada vez mais desconfiado que este tipo de "minhoca" complicadora é que levou a física para o beco sem saída em que se encontra.
A inércia depende sim de um referencial afastado da partícula que se move, e foi Newton quem sabiamente apontou esta necessidade em sua experiência denominada "Balde de Newton", mas que pode ser compreendida através de outro modelo também sugerido por ele:
Imagine que no cosmos, longe de tudo, duas esferas de 5 cm cada uma e presas entre si por um cordão firme. Estas esferas são colocadas a girar de forma a manter a corda esticada. Feito isto, retira-se o dispositivo que acelerou o sistema afastando-o relativamente longe deste local. O que se deve perguntar é: Depois de muito tempo (séculos) como é que o cordão sabe que as esferas ainda estão girando de forma a mantê-lo esticado? Como é que as esferas sabem que estão girando, se não existe aparentemente nenhum referencial que possa dar esta informação.
A resposta que eu tenho é: Cada partícula material das esferas "sabe" que está girando porque ela é a origem do seu campo gravitacional respectivo, que é esférico e extenso, configurando assim um referencial inercial legítimo, infinitamente extenso, mas não absoluto, pois cada partícula tem o seu próprio. Portanto, quando ela se movimenta em giro, este seu campo, ou referencial, tem dificuldade de acompanhá-la instantaneamente, já que a velocidade máxima para as interações é C. Com este atraso na resposta surgem as propriedades da aceleração e da inércia, que conhecemos. Viva Newton!


[quote="Robson Z. Conti escreveu:
...o que não creio que ocorra antes da fase gigante vermelha do Sol quando seremos engolidos por ele, ...
A Terra terá sua órbita assegurada, com relação ao Sol, desde que este não varie sua própria massa. Portanto, dentro desta limitação, o Sol pode se manifestar à vontade, que nossa órbita estará garantida. O Sol pode até transformar-se em buraco negro, que o ano terrestre continuará com seus 365 dias e 4 horas.

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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Jonas Paulo Negreiros em 8th Setembro 2015, 10:13

A Terra terá sua órbita assegurada, com relação ao Sol, desde que este não varie sua própria massa. Portanto, dentro desta limitação, o Sol pode se manifestar à vontade, que nossa órbita estará garantida. O Sol pode até transformar-se em buraco negro, que o ano terrestre continuará com seus 365 dias e 4 horas.

Como isso é possível?

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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Bosco em 8th Setembro 2015, 22:46

Qual é a dúvida?

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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Jonas Paulo Negreiros em 9th Setembro 2015, 16:49

Bosco escreveu:Qual é a dúvida?

Muitas, caro amigo Bosco:

O Sol pode até transformar-se em buraco negro, que o ano terrestre continuará com seus 365 dias e 4 horas.

Como o sol poderia se transformar num buraco negro e com a Terra deixaria de ser engolida por ele?
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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Bosco em 12th Setembro 2015, 01:15

Ora pois, caríssimo Jonas!
Se o sol se transforma num buraco negro, o diâmetro da superfície do seu horizonte de eventos será de 3km, mas a sua massa permanecerá a mesma, e é esta, quem define a intensidade da gravidade. Logo a Terra continuará em órbita como se nada houvesse acontecido gravitacionalmente.


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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Xevious em 14th Setembro 2015, 20:41

Bosco escreveu:Ora pois, caríssimo Jonas!
Se o sol se transforma num buraco negro, o diâmetro da superfície do seu horizonte de eventos  será de 3km, mas a sua massa permanecerá a mesma, e é esta, quem define a intensidade da gravidade. Logo a Terra continuará em órbita como se nada houvesse acontecido gravitacionalmente.
O inicio e fim da afirmação esta até correta, o problema seria o "meio"

Antes de que ele viesse a se transformar em BN (e a princípio precisarai de bem mais massa)
mas ele se transformaria numa super-gigante
e mesmo que nossa órbita se expanda a superfície do sol nos alcançaria
e transformaria a terra noq é Mercúrio agora
ou seja só com seu núcleo e o restante iria ser jogado ao espaço

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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Jonas Paulo Negreiros em 14th Setembro 2015, 22:48

Xevious escreveu:
Bosco escreveu:Ora pois, caríssimo Jonas!
Se o sol se transforma num buraco negro, o diâmetro da superfície do seu horizonte de eventos  será de 3km, mas a sua massa permanecerá a mesma, e é esta, quem define a intensidade da gravidade. Logo a Terra continuará em órbita como se nada houvesse acontecido gravitacionalmente.
O inicio e fim da afirmação esta até correta, o problema seria o "meio"

Antes de que ele [o Sol] viesse a se transformar em um Buraco Negro (e a princípio precisaria de bem mais massa),  mas ele [ O Sol ?] se transformaria numa super-gigante. E mesmo que nossa órbita [da Terra?] se expanda, a superfície do Sol nos alcançaria e transformaria a Terra  naquilo que é Mercúrio agora, ou seja: só com seu núcleo [Mercúrio somente tem núcleo?]  e o restante iria ser jogado ao espaço

Xevious, assim você me deixa louco  affraid !

Não sou moderador, mas por favor, em respeito a qualidade do fórum Física2100 e pelo interesse de seus colegas em conhecer as suas opiniões, peço que capriche na composição de seus textos.
Nós sabemos que você tem competência de sobra para isso  Surprised .
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Re: Entropia x Gravidade: a grande batalha cósmica

Mensagem por Bosco em 18th Setembro 2015, 03:49

Xevious, o que eu disse em resposta ao Robson, é que o Sol jamais poderá nos engolir, com a massa que ele tem hoje, mesmo que ele se transformasse subtamente num buraco negro de 3km. Ou seja mesmo se o Sol aumentasse o seu volume 300 vezes de forma a alcançar a Terra, sua densidade, que já é menor que a terrestre, chegaria aqui em forma de gás e aconteceria o contrário, as partículas do Sol próximas da Terra, seriam sugadas por ela, que aumentaria de massa. A Lua também aumentaria de massa.
A Terra só será engolida pelo Sol, se a massa dele aumentar o suficiente.

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