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Descoberta a primeira molécula orgânica fora do sistema solar

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Mensagem por Carlos Costa em 21st Março 2008, 01:17

Descoberta a primeira molécula orgânica fora do sistema solar 25644
Visão artística do planeta extra-solar HD 189733b


A assinatura de uma molécula orgânica foi pela primeira vez detectada fora do sistema solar. Uma equipa conjunta da NASA e da ESA descobriu metano na atmosfera do exoplaneta HD 189733b, a 63 anos-luz da Terra.

Segundo os responsáveis, a análise dos dados obtidos pela espectroscopia infravermelha do Telescópio Espacial Hubble é um passo importante para perceber em que condições é possível a formação de vida, uma vez que em circunstâncias favoráveis o metano pode ter um papel chave nas reacções químicas necessárias a essa formação.

"É um passo fundamental para a eventual caracterização das moléculas pré-bióticas em planetas onde possa haver vida", disse Mark Swain, responsável pela equipa da NASA que fez a descoberta e autor principal do artigo que vai ser publicado amanhã na revista científica "Nature".

O conjunto de observações na base desta descoberta foi obtido em Maio de 2007 pela Câmara Quase Infravermelha e o Espectrómetro para Objectos Múltiplos (NICMOS), a bordo do Hubble. Os mesmos dados permitiram confirmar a existência de moléculas de água na atmosfera do planeta, uma descoberta original do telescópio Spitzer no ano passado.

Atmosfera com 900 graus Celsius

Agora conhecido pela presença de metano e vapor água, o planeta HD 189733b está a 63 anos-luz da Terra, na constelação Vulpecula (Pequena Raposa). Designado por "Júpiter quente", o planeta tem a dimensão do planeta homónimo no sistema solar mas está tão perto da estrela central do seu sistema planetário que demora apenas dois dias a completar a órbita. A proximidade àquela estrela, muito inferior à proximidade de Mercúrio ao Sol, faz com que a atmosfera atinja os 900 graus Celsius, o que equivale ao ponto de fusão da prata.

As observações foram feitas quando o planeta HD 189733b passava diante da estrela que orbita, um movimento conhecido em astronomia como trânsito planetário. De acordo com Giovanna Tinetti, da University College London e da Agência Espacial Europeia "a existência de água não explicava todas as componentes espectrais observadas. A presença de metano vem dar resposta à informação recolhida pelo Hubble".

Origem biológica?

O metano, composto por carbono e hidrogénio, é um dos principais componentes do gás natural. Na terra, é produzido por uma variedade de recursos naturais, como a decomposição de resíduos orgânicos, em pântanos e oceanos bem como a partir da digestão dos animais herbívoros e da acção de bactérias.

No entanto, Giovanna Tinetti recusa especular sobre qualquer origem biológica do metano encontrado no HD 189733b. "A atmosfera do planeta é demasiado quente para que haja qualquer forma de vida – pelo menos do tipo de vida que conhecemos aqui. É muitíssimo pouco provável que lá pudessem viver vacas!", disse.

A equipa ficou surpreendida ao verificar que o planeta tem mais metano do que os valores previstos pelos modelos convencionais para os planetas designados por "júpiteres quentes". Segundo estudos anteriores, este tipo de planeta devia apresentar uma maior quantidade de dióxido de carbono do que de metano. "Uma explicação pode ser o facto das observações do Hubble terem sido mais sensíveis ao lado nocturno do planeta, onde a atmosfera é mais fria e os mecanismos fotoquímicos responsáveis pela destruição do metano são menos eficientes do que no lado diurno", assinalou a responsável.

Apesar de o planeta ser demasiado quente para poder ter vida, pelo menos como a vida terrestre, os astrónomos acreditam que esta observação prova que a espectroscopia pode ser feita num planeta do mesmo sistema planetário, que seja menos quente, do tamanho da terra e potencialmente habitável. O fim último da investigação é identificar moléculas pré-bióticas nas atmosferas dos planetas das "zonas habitáveis", onde as temperaturas permitem que a água se mantenha em estado líquido em vez de congelar ou evaporar instantaneamente.

"Estes medições são um passo importante para o nosso objectivo final de determinar as condições – temperatura, pressão, ventos, nuvens, etc., - e a química dos planetas onde podia existir vida. A espectroscopia infravermelha é a chave para estes estudos uma vez que é a melhor tecnologia para detectar moléculas", disse Mark Swain.

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Carlos Costa
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