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Festival Nacional de Robótica em Aveiro

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Festival Nacional de Robótica em Aveiro

Mensagem por Carlos Costa em 2nd Abril 2008, 00:37

Craques de todo o país participam a partir de amanhã no Festival Nacional de Robótica em Aveiro.

Cinco dias de competições, com robots futebolistas, bailarinos, socorristas e automobilistas. O Festival Nacional de Robótica (FNR) começa amanhã na Universidade de Aveiro (UA) e promete pôr frente a frente as melhores equipas de robótica do país e os seus robots originais. No encontro anual, organizado em conjunto pelos Departamentos de Electrónica Telecomunicações e Informática, Engenharia Mecânica, Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática da UA e pela Fábrica – Centro de Ciência Viva de Aveiro, participam este ano 670 craques da robótica, júniores e séniores. Na véspera do FNR, o Ciência Hoje falou com Luís Almeida, um dos responsáveis pela organização do mais importante evento de robótica em Portugal.

A 8ª edição do festival, com entrada gratuita, decorre até Domingo nos pavilhões desportivos da Universidade de Aveiro e da EB 2/3 João Afonso, perto da UA.


Ciência Hoje - Quais são os objectivos do Festival Nacional de Robótica (FNR)?

Luís Almeida - Os objectivos são, por um lado, a divulgação científica e tecnológica desta área, e por outro lado, a formação. As componentes do programa destinam-se a pessoas que trabalham no meio do ensino superior e a alunos do ensino básico e secundário.

CH - Que actividades vão ser desenvolvidas?

L.A. - O festival inclui essencialmente um conjunto de competições de robots, destinadas a níveis etários diferentes e com diferentes níveis de dificuldade. Depois tem também um encontro científico associado. Este ano, o orador convidado é o professor Bradley Nelson, do "Institute of Robotics and Intelligent Systems", de Zurique. No fundo, temos actividades para quem faz investigação em robótica, actividades de competição ao nível do ensino superior, as chamadas competições sénior, e a actividades ao nível do ensino básico e secundário, as chamadas competições júnior.

CH – Como tem sido a adesão desde o início do festival em 2001?

L.A. - Até 2004, tivemos um crescimento contínuo de visitantes. Nas últimas edições o número estabilizou num patamar relativamente elevado. Fizemos uma aposta muito grande no início, quando pensámos em dinamizar actividades ligadas à robótica com fins pedagógicos para níveis de ensino mais baixos. Hoje essa aposta está totalmente ganha, até porque há escolas por todo o país que trabalham estas actividades fora do festival, que estão empenhadas em participar todos os anos. Em 2006 tivemos cerca de 150 equipas júnior, em 2007 tivemos pouco mais de 170 e este ano, quando fizemos o pré-registo, – porque tínhamos algumas limitações em termos de capacidade de acolhimento - tivemos 193 pedidos de inscrição. É um crescimento muito grande. No final acabámos por ter de limitar a participação, por motivos logísticos, a 143 equipas no escalão júnior.

CH - E em relação às equipas seniores?

L.A. - Depende muito das competições. Temos normalmente 10 equipas por competição. Este ano temos 40 equipas inscritas. O número tem-se mantido estável desde o início. Esta actividade nasceu muito do envolvimento com as actividades desenvolvidas no ensino superior.

CH - O festival está aberto à participação de amadores?

L.A. - Essa é uma questão que temos levantado. Tivemos sempre a preocupação de manter o festival e as competições abertos a pessoas que não estejam ligadas a nenhuma instituição de ensino. Na realidade, temos tido algumas participações a esse nível. As competições não estão vinculadas a nenhum nível de ensino em especial para que passe a ideia de que não é obrigatório vir de nenhuma instituição. É possível que haja um grupo de pessoas que tenha o gosto e a capacidade para participar individualmente .

CH - No fundo, o festival faz uma demonstração prática da robótica…

L.A. – Diria que temos duas perspectivas. Por um lado temos a perspectiva da investigação científica, com investigadores a falar sobre os trabalhos que têm vindo a desenvolver, sobre o estado da arte. Depois, nas competições, há equipas que utilizam tecnologias mais avançadas e outras que não. Ao nível das competições sénior, há regras que são mais exigentes do ponto de vista da técnica, como no caso do futebol robótico, mas também há competições em que se pode utilizar soluções mais simples. O que não invalida que qualquer participante possa aparecer com uma solução mais complexa. São contemplados ambos os lados.

CH – Que tipo de afluência esperam em termos de público?

L.A. - Vamos ter dois pavilhões em funcionamento, um com as competições júnior e outros com as competições seniores. Vão estar abertos ao público em geral, com entrada gratuita. Esperamos ter uma afluência considerável, que as pessoas gostem e que se sintam motivadas para aquilo que vão ver.

CH - Que competições vão ter lugar no FNR?

L.A. - Ao nível das competições júniores temos três competições. Há a "Dança Robótica júnior", em que a equipa teve de desenvolver um conjunto de robots (pode ser um, mas normalmente são mais) que vão ter de dançar, isto é, executar um conjunto de movimentos ao som da música. Resulta uma pequena actuação, que dura um ou dois minutos, mas que é muito engraçada porque é aberta, apela muito à criatividade dos estudantes.

Outra competição muito interessante é a "Busca e Salvamento júnior". Existe um cenário, composto por uma mesa que tem dois níveis ligados por uma rampa, atritos como pedras, madeira, uma pista também com obstáculos e vítimas de papel coladas no chão. Os robots têm de encontrar as vítimas e sinalizá-las, no menor tempo possível. Esta é um dos desafios que tem tido mais adeptos – temos 100 equipas inscritas só nesta competição – e o grande apoio que tem tido penso que se deve ao envolvimento da Associação Nacional de Professores de Electrotecnia e Electrónica, do ensino secundário, que têm realizado acções de formação destinadas a esta competição.

A terceira competição é o "Futebol Robótico júnior", que envolve duas equipas em cada partida, cada equipa com dois robots. Têm de jogar futebol, com uma bola especial que emite infra-vermelhos para que os robots sejam capazes de a ver facilmente. O engraçado é ver como estes jogos geram alguma emoção entre o público.

CH - Os robots são trabalhos originais ou seguem indicações da organização?

L.A. - São trabalhos das escolas. Podem ser baseados em kits comerciais, mas depois há uma verificação técnica feita por um júri e não podem ser simples reproduções. Podem ter sido elaborados por alunos anteriores e reutilizados de uns anos para os outros, apenas com o aperfeiçoamento da programação. Mas o que se pretende é que este festival ajude a desenvolver actividades de projecto e programação. Queremos que os alunos desenvolvam estas capacidades, que sejam capazes de construir qualquer coisa…

CH – Ao nível das competições sénior, o que é que pode ser visto?

L.A. - Temos duas principais: o "Futebol Robótico", mas com robots grandes, completamente autónomos e uma outra que se chama "Condução Autónoma". Nesta temos uma pista em que os robots têm de circular, fazer manobras, obedecer aos sinais.

CH – Este ano, juntam também a competição "Micro-Rato" da UA ao festival...

L.A. - Essa competição vai decorrer amanhã e normalmente não está integrada no festival. Foi a primeira competição de robots em Portugal e normalmente organizamo-la sempre na Universidade de Aveiro, para os nossos alunos, mas aberta a toda a gente. Esta é a 13ª edição e tem duas modalidades de participação: a "Micro-Rato" (destinada a pequenos robots móveis e autónomos) e a "Ciber-Rato" (uma competição em ambiente simulado entre agentes robóticos virtuais).

CH – No FNR decorre ainda a primeira fase de pré-selecção das equipas nacionais para o Robocup, que este ano terá lugar em Julho, na China. Como costumam ser as classificações dos robots portugueses lá fora?

L.A. – Como este evento segue a linha do Robocup, que é um certame internacional, aproveitamo-lo para fazer a selecção das equipas que depois vão representar o país lá fora. Temos tido uma participação bastante boa ao nível das equipas séniores na chamada Liga Média do Robocup (uma das categorias da competição), que envolve as equipas que vamos poder ver a jogar no nosso festival, na competição do "Futebol Robótico sénior". Para além desta competição, existe um conjunto de outras actividades em que temos tido uma participação extraordinária. Por exemplo nas competições de simulação, que para quem participa é muito parecido com uma competição normal - porque em vez de construir o robot, tem apenas de o programar e depois o desafio disputa-se no computador, - há uma equipa mista da Universidade do Porto e de Aveiro que tem ganho muitas edições.

CH – E ao nível dos júniores?

L.A. - Temos participações que têm atingido os três primeiros lugares, não apenas no futebol mas também na dança. As nossas equipas, desde os ensinos básicos e secundário até ao ensino superior, têm tido um desempenho realmente bom. Posso até dizer que ao nível dos júniores, onde tenho estado mais envolvido, a dinâmica do nosso país coloca-nos entre os países onde a robótica tem maior dinâmica e impacto junto do ensino pré-universitário.

CH – O FNR tem tido bons resultados na divulgação da ciência robótica?

L.A. – Penso que sim. A ideia principal quando criámos este festival era chegar à sociedade de uma forma mais fácil. Queríamos transmitir não apenas outras possibilidades de utilizar a robótica mas esta ideia de que os nossos jovens são capazes de criar qualquer coisa que mexe, que funciona. Ao mesmo tempo é importante permitir a esses jovens que apliquem os seus conhecimentos, ter um lugar para testar as suas capacidades.


Fonte: CiênciaHoje

Carlos Costa
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