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Deputados e Investigadores tomam «Café de Ciência» sobre campos electromagnéticos

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Deputados e Investigadores tomam «Café de Ciência» sobre campos electromagnéticos Empty Deputados e Investigadores tomam «Café de Ciência» sobre campos electromagnéticos

Mensagem por Carlos Costa em 18th Abril 2008, 01:51

Deputados e Investigadores tomam «Café de Ciência» sobre campos electromagnéticos 26080
Cartaz do Café de Ciência na AR

Faz mal viver perto de antenas de alta tensão? E debaixo delas? Qual a relação entre os telemóveis e as bombas de gasolina? Quais os factores de risco associados aos campos electromagnéticos? Estas e outras questões tiveram ontem resposta no Café de Ciência. A tertúlia, que decorreu ao final da tarde na biblioteca da Assembleia da República, juntou deputados e investigadores e desfez algumas dúvidas sobre os efeitos biológicos das redes de alta tensão, antenas de comunicações móveis e emissores de televisão.

O objectivo da iniciativa, organizada em conjunto pela Agência Ciência Viva, do Conselho dos Laboratórios Associados (CLA) e da Comissão Parlamentar de Educação, era levar o conhecimento científico para a esfera das decisões políticas de forma a estabelecer uma ligação mais directa entre os cientistas e a sociedade.

Na imponente biblioteca da AR o ambiente era informal, tal como prometido pela organização dias antes. Várias mesas redondas, com as respectivas chávenas de café, alimentavam o debate entre membros das diferentes bancadas parlamentares, investigadores e responsáveis de organismos como a Escola Nacional de Saúde Pública, o Instituto de Telecomunicações ou o Centro de Física Computacional.

A sessão, que contou com a presença do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama e do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior bem como da, presidente da Ciência Viva, Rosália Vargas e da Directora Executiva do ECSITE (Rede Europeia de Centros e Museus de Ciência) Catherine Franche, prolongou-se por mais duas horas, moderada pelo investigador Alexandre Quintanilha, do CLA e do Instituto de Biologia Molecular e Celular.

De acordo com os participantes, o ponto mais importante a sublinhar é que não existe, até ao momento, conhecimento científico que demonstre que as linhas de alta tensão e, no geral, a exposição aos campos electromagnéticos, tal como ela acontece no dia-a-dia das pessoas, seja um perigo para a saúde pública.

Partindo do que a ciência já conseguiu demonstrar, ou seja, como funcionam os campos electromagnéticos, como se desloca a radiação, ou da investigação sobre alguns casos clínicos é possível ter uma atitude que avalie os riscos, estabeleça normas de segurança e permita precaver situações de alarme.

Desmistificar o medo

"A aplicação do chamado princípio absoluto da precaução faria com que quase toda a obra humana, toda a produção técnica, fosse proibida, porque não existiu o tempo suficiente para se perceber se tem ou não efeitos negativos", disse ontem Mariano Gago, Ministro da Ciência, para quem a estratégia principal relativamente a esta problemática exige "uma maior atenção à sensibilidade das populações mas também exigem desmistificar o medo".

De acordo com os intervenientes no debate, o argumento da saúde pública que instalou nas manifestações contra as redes de alta tensão não faz sentido quando os campos electromagnéticos das televisões, dos secadores de cabelo, das televisões e mesmo das estações transmissoras de rádio e televisão apresentam valores semelhantes às linhas de alta tensão quando colocadas em respeito pelas normas de segurança.

"O primeiro problema de comunicação que existe é que para o campo magnético não importa a tensão a que está a linha, o problema é a corrente. A intensidade do campo, faça bem ou mal, depende de várias coisas, por exemplo, o afastamento que têm os condutores uns dos outros. Se for menor, o campo é menor, se for maior, o campo é maior", explicou Vladimiro Miranda, da Direcção do INESC Porto.

"Quando falamos de linhas de alta tensão, os condutores estão mais afastados, pelo que a tendência seria o campo magnético ser maior. No entanto, como as linhas são colocadas mais alto, o afastamento diminui o campo", acrescentou.

Falta de conhecimento

De acordo com os investigadores presentes, o verdadeiro problema é uma falta de conhecimento prévio e a sensação de desconforto provocada pelas linhas. Para António Vaz Carneiro, professor da Universidade de Medicina em Lisboa e especialista em comunicação e mediação de risco clínico, a questão remonta aos bancos da escola e tem a ver com "inumeracia".

"Há um problema base que tem a ver com a relação que se estabelece entre factores de risco e a doença. Por exemplo, o que é que uma pessoa entende quando ouve dizer que amanhã há 30 por cento de hipóteses de chover? Sem um pensamento estatístico não podemos falar de ciência", sublinhou.

E disse ainda: "Medir riscos baixíssimos, como é o caso, é muito difícil. Quando o risco é assim baixo a única forma de comunicar é que equivale a uma leucemia de três em três anos, a uma morte a cada 12 anos… O que me parecia correcto era uma educação científica prévia. Acho que se hoje fôssemos tentar explicar este risco baixo às pessoas, elas já não acreditavam".

Para os investigadores, decisões como enterrar as linhas de alta tensão, processo sobre o qual há poucos estudos que aumenta a exposição ao campo electromagnético uma vez que a distância em relação às pessoas passa a ser menor, ou decretos de lei com linguagem científica não são boas políticas quando o objectivo é tranquilizar a população.

"A ciência não uma democracia. Em Portugal, os decisores políticos têm de credibilizar ciência. Temos de lutar pelo equilibro entre a racionalidade e as emoções. Estamos presos a uma facilidade biológica de estabelecer relações causais, até para sobrevivência da espécie", lembrou Vladimiro Miranda. "Os estudos epidemiológicos estão a ser endeusados. Estes estudos sugerem motivos de investigação mas só a prova experimental é que determina se existe relação causa-efeito ou não", disse.

Pontes entre os cientistas e a sociedade

Porque é impossível descolar a tecnologia de algum risco e incerteza, concluíram os intervenientes no Café de Ciência, a estratégia passa por aumentar a proactividade e saber como agir através de pontes mais directas entre a comunidade científica e sociedade.

Exemplo desta ponte é o monIT, um projecto de monitorização de radiação electromagnética em comunicações do móveis do Instituto de Telecomunicações que tem por objectivos divulgar os conceitos básicos sobre ondas electromagnéticas e limites de exposição bem como os resultados de medidas efectuadas pela equipa ao longo do país.

"Uma situação deste género precisa de articulação entre a Direcção Geral de Saúde e a comunidade cientifica, absorvendo o que é feito na União Europeia e na Organização Mundial de Saúde", salientou Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República no final da sessão. "Está aqui em aberto a possibilidade de se criar um programa semelhante ao monIT para as linhas de alta tensão, quem sabe um TensIT, que pudesse tranquilizar a opinião pública", acrescentou.

"A tantos metros das linhas de alta tensão o campo magnético já é bastante menor do que o campo magnético natural da terra. O risco de cancro, de doenças está demonstrado que não existe. Isto exige um contacto muito maior entre os cientistas e a comunidade", frisou no fim Mariano Gago.

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Carlos Costa
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