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Modelo matemático demonstra que governos pequenos são mais eficientes

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Mensagem por Carlos Costa em 10th Maio 2008, 01:51

Modelo matemático demonstra que governos pequenos são mais eficientes 26242
Stefan Thurner vai desenvolver o estudo com cientistas sociais

Três físicos da Universidade Médica de Viena criaram um modelo matemático que demonstra que quanto menos ministros tem mais eficiente é um governo, confirmando a teoria do 20 como número ideal de membros de um grupo de decisão.

Num artigo publicado no "ArXiv" da Universidade Cornell, de Ithaca, Estados Unidos , os físicos Peter Klimek, Rudolf Hanel e Stefan Thurner apresentam os resultados da aplicação do seu modelo à composição dos governos de 197 países e territórios.

Os autores compararam o número de ministros de um Governo com quatro indicadores mundialmente reconhecidos (Índice de Desenvolvimento Humano da ONU e os indicadores do Banco Mundial sobre Estabilidade Política, Liberdade de Expressão e Votação, e Eficiência Governativa), tendo concluído que quando menos decisores tem mais eficiente, mais estável e mais desenvolvido é um país.

A dimensão dos "conselhos de ministros" dos países e territórios estudados, segundo dados da CIA de Setembro de 2007, varia entre cinco e 54, registando-se um "pico visível entre 13 e 20". Portugal, com 17 ministros, surge ao lado dos Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Espanha, Montenegro, Tajiquistão, Laos e Gambia.

Com executivos mais pequenos surgem, fundamentalmente, micro-estados e territórios autónomos: Liechtenstein e Mónaco (cinco membros), Macau e Nauru (seis), Ilhas Cook, Micronésia, Antilhas Holandesas, Suíça e Tuvalu (sete).

No extremo oposto, aparecem o Sri Lanka (54 ministros), República Democrática do Congo (40), Camarões, Gabão, Índia e Senegal (36), Myanmar, Costa do Marfim e Indonésia (35), Coreia do Norte, Níger, Omã e Iémen (34) e Irão, Sudão e Zimbabué (33).

A maioria dos países mais desenvolvidos surge na faixa entre os 13 e os 20 ministros, à excepção de três - Austrália (27), Nova Zelândia (27) e Canadá (32) -, que têm culturas e sistemas políticos semelhantes, pelo que Stefan Thurner espera agora trabalhar com cientistas sociais para perceber se estes factores influenciam o comportamento das respectivas comunidades.

Os restantes países de língua oficial portuguesa têm executivos de dimensão muito variável: Timor-Leste (11), S. Tomé e Príncipe (13), Cabo Verde (15), Guiné-Bissau (21), Moçambique (24), Brasil (27) e Angola (31).

Os autores notaram o facto de não existir nenhum governo com oito ministros, o que atribuem, embora reconheçam que "sem qualquer relevância científica", ao facto de o número oito estar a ser evitado desde os tempos do rei Carlos I de Inglaterra, Escócia e Irlanda.

É que Carlos I (1600-1649), que liderou o único governo de oito elementos da história de Inglaterra, "ficou famoso por ter sido decapitado depois de preconizar o Divino Direito dos Reis, cobrando impostos sem consentimento do Parlamento e, assim, desencadeando a primeira guerra civil inglesa".

Os resultados obtidos por Klimek, Hanel e Thurner vêm dar suporte científico à teoria "semi-humorística" do historiador britânico Northcote Parkinson, que, há 50 anos, conjecturou que um executivo perde habilidade política na tomada de decisões eficientes a partir do momento em que ultrapassa a dimensão crítica de 19 a 22 membros.

Esta teoria, que ficou conhecida como "Coeficiente de Ineficiência", aplica-se a todos os grupos de decisão e não apenas aos governos políticos. "A ideia deste artigo é mostrar com um modelo simples que no processo de formação de opinião existe um número crítico de indivíduos, acima do qual se torna extremamente difícil que um grupo chegue a um consenso", afirmam os autores.

Os três físicos salientam que esta questão ganha uma importância acrescida na União Europeia, que, com os sucessivos alargamentos até 27 estados, ficou com o seu órgão executivo, a Comissão Europeia, demasiado grande (27 membros).

"Este crescimento forçou a União a reconsiderar o seu quadro constitucional, o que levou ao Tratado de Lisboa, também conhecido como Tratado Reformador, em que é decidido reduzir a Comissão para dois terços, resultando num grupo de 18 que colocará a Comissão (felizmente) abaixo do coeficiente de ineficiência", realçam os autores.

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Carlos Costa
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