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Maior encontro de sempre da comunidade científica portuguesa começou hoje em Lisboa

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Maior encontro de sempre da comunidade científica portuguesa começou hoje em Lisboa Empty Maior encontro de sempre da comunidade científica portuguesa começou hoje em Lisboa

Mensagem por Carlos Costa em 3rd Julho 2008, 15:58

Maior encontro de sempre da comunidade científica portuguesa começou hoje em Lisboa 26730
Alexandre Quintanilha, secretário do CLA, no uso da palavra

A ideia expressa esta manhã pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, é simples: "Há oportunidades novas e desafios novos, mas também há instituições mais fortes para os encarar". Resume aquele que é o espírito do "Ciência 2008 - Encontro com a Ciência em Portugal" a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa: promover a interdisciplinaridade entre os diferentes grupos de investigação e prestar contas à sociedade do trabalho desenvolvido nos laboratórios nacionais.

O certame, promovido pelo Conselho de Laboratórios Associados (CLA) em colaboração com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), reúne até sexta-feira centenas de investigadores de instituições portuguesas de âmbito científico e tecnológico, entre as quais as 25 estruturas nacionais com estatuto de Laboratório Associado.

Antes do início dos trabalhos, ao todo perto de 300 comunicações espalhadas por dois dias e meio, a decorrer em quatro salas em simultâneo e com sessões temáticas em áreas tão diversas como a Biologia, Biotecnologia e Bioquímica, Ciências Sociais e Humanas, Engenharias e Tecnologias da Informação, com espaço para o debate do jornalismo científico e das novas empresas de base científica, Mariano Gago, Alexandre Quintanilha, secretário do CLA e director do Instituto de Biologia Molecular e Celular e João Sentieiro, presidente da Fundação para Ciência e a Tecnologia, saudaram os participantes e fizeram uma primeira leitura do estado da ciência em Portugal.

Numa contextualização do encontro, Alexandre Quintanilha salientou o crescimento do dos Laboratórios Associados – de uqatro instituições em 2000 para 25 em 2008, lembrando que o estatuto, legislado em 1999, distingue estruturas com base "na avaliação da sua capacidade para cooperar, de forma estável, competente e eficaz, na prossecução de objectivos específicos da política científica e tecnológica nacional".

Demarcando o segundo encontro da primeira edição, que teve lugar no ano passado com vista a apresentação das 60 instituições abrangidas pelos LA, um total de 1739 doutorados e perto de 3000 investigadores, o responsável sublinhou a abrangência do encontro, sob a premissa de mostrar "uma fracção dos projectos de investigação de qualidade que estão a ser desenvolvidos no país".

Promover a construção de pontes

Quintanilha adiantou ainda que o encontro visa ainda defender os objectivos do CLA: complementar o serviço científico do Estado, prosseguir o reforço de um quadro institucional mais exigente e estável, estimular a educação e investigação científica, promover a construção de pontes entre cientistas e sociedade e a transdisciplinaridade e reforçar as oportunidades de emprego cientifico.

João Sentieiro frisou a inversão nos últimos três anos de uma política científica "que nem sempre se expressou em termos de orçamento". O presidente sublinhou o crescimento de 160 por cento na atribuição de bolsas de doutoramento pela FCT, de 800 em 1998 para 2078 em 2007, que em 2007 se atingiu a meta dos 1000 doutorados/ano e referiu o aumento da despesa pública com infra-estruturas de 19 para 67 milhões desde 1995.

Atribuindo o novo panorama científica a novas políticas e a uma avaliação sistemática internacional, Sentieiro reiterou que a prioridade da ciência é "uma exigência longo prazo" e que o encontro é a altura de "prestar contas à sociedade" do trabalho que vem sendo desenvolvido.

Manifestação de vitalidade

O ministro da Ciência saudou a "impressionante manifestação de vitalidade" que o encontro promovido pela CLA representa. "A ciência parece estar finalmente hoje em Portugal para ficar e o futuro do país vai depender das nossas capacidades científicas e tecnológicas", disse Mariano Gago, acrescentando que nova matriz de desenvolvimento científico deve passar pelo diálogo interdisciplinar.

Referindo-se à ciência como uma "inequívoca prioridade nacional", o ministro apelou ao crescimento contínuo, com o reforço capacidade de atrair e fixar "os melhores" e ao fomento do enraizamento social do esforço científico. Perante um auditório já completamente cheio, Mariano Gago disse que a pedra de toque da cultura científica deve ser um sistema de avaliação aberto, exigente e competitvo, indissociável de uma avaliação pelos pares, que "não se ficam pelos números de artigos, lêem-nos".

Questionado pelo Ciência Hoje sobre a discussão em torno da avaliação quantitativa/qualitativa da ciência, Mariano Gago frisou que a questão é controversa na comunidade científica e académica. "Se hoje é tão aceite nas sociedades mais modernas uma cultura de avaliação deve-se ao impacto da ciência. Foi a ciência que a transmitiu. Esta cultura baseia-se sempre no mesmo princípio: são os melhores que devem avaliar aquilo que os outros fazem", disse. "Avaliar significa conhecer com competência e detalhe aquilo que está a ser feito, para corrigir e melhorar constantemente", acrescentou.

Responsabilização dos cientistas

Depois de abordar a carência de acompanhamento externo sentida pelas instituições e necessidade do empenho colectivo social, o ministro da Ciência falou daquelas que considera ser as responsabilidades dos cientistas: uma participação activa na definição das políticas científicas, a avaliação dos pares, atender às preocupações da sociedade e dar formação aos mais novos.

"A base social do nosso progresso científico recente assenta na relação de confiança e partilha, uma vontade de actualizar a ligação entre cientistas e não cientistas", salientou. "Em Portugal, mesmo aqueles que não tiveram a oportunidade de estudar, acreditam na ciência e nos cientistas. Qual é a nossa resposta à confiança que o país põe na ciência e no progresso?", deixou em aberto Mariano Gago, no arranque daquele que é visto como o maior encontro da comunidade científica nacional de sempre.

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Carlos Costa
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