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Portugal podia evitar emissão de dois milhões de toneladas de CO2

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Portugal podia evitar emissão de dois milhões de toneladas de CO2

Mensagem por Carlos Costa em 28th Setembro 2008, 00:01

Um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) revela que, se todos os consumidores portugueses tivessem o cuidado de poupar energia eléctrica, seria evitada a emissão de dois milhões de toneladas de dióxido de carbono. Ao nível da Europa, a poupança impediria a libertação de mais de 100 milhões de toneladas para a atmosfera.

O estudo foi realizado com base em auditorias nas habitações, que compreenderam entrevistas pessoais e medição dos consumos de equipamento informático (computadores, impressoras, modems, monitores), equipamento de entretenimento (televisores convencionais, plasma e LCD, leitores e gravadores de DVD, entre outros) e iluminação. Uma campanha de inquéritos permitiu ainda avaliar o comportamento dos utilizadores finais no uso de equipamentos.

As conclusões do estudo vão de encontro ao que se tem vindo a dizer sobre as consequências do comportamento humano no meio ambiente e vêm dar força aos alertas lançados por campanhas de sensibilização. Se os consumidores portugueses utilizassem tecnologias mais eficientes disponíveis no mercado, ou tivessem mais cuidado com a poupança energética, seria evitada a emissão de dois milhões de toneladas de dióxido de carbono e a importação de 800 milhões de m3 de gás natural. Ao nível da Europa, os valores são naturalmente mais elevados.

Potencial de poupança significativo

A poupança impediria a libertação de mais de cem milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera. Segundo Paula Fonseca, isto revela que “a taxa de penetração das tecnologias eficientes ainda é bastante reduzida, nomeadamente em Portugal”. A investigadora acrescenta ainda que “o potencial de poupanças nas habitações é significativo, rondando os 40%”.

Quando questionada sobre o porquê de tais resultados, tendo em conta todas as soluções que actualmente se encontram à disposição dos consumidores, Paula Fonseca afirma: “A culpa é principalmente da nossa política energética”. Segunda a directora técnica do projecto, “os incentivos atribuídos à eficiência energética têm sido bastante modestos quando comparados, por exemplo, com os incentivos às energias renováveis”.

O preço é também apontado por Paula Fonseca como a principal barreira à aquisição de tecnologias mais eficientes. As lâmpadas economizadoras de energia são mais caras do que as normais e a sua eficiência é olhada com desconfiança pelos utilizadores. Os equipamentos energéticos mais eficientes (classe A) também são pouco utilizados em Portugal. “Os agentes de mercado também não ajudam”, afirma. “Se quiser comprar um frigorífico A++ em Portugal, dificilmente o encontra, porque não estão disponíveis no mercado”.

Paula Fonseca considera que, para mudar mentalidades, muito há a fazer – “uma política de incentivos forte, por exemplo, na forma de descontos na aquisição de tecnologias eficientes, e campanhas de sensibilização e de divulgação sobre equipamentos eficientes e comportamentos dos utilizadores”.

Diz a investigadora: “Cabe a todos os agentes, políticos e não só, tomar medidas com vista a uma transformação do mercado”, frisou a investigadora. “Se todos fizermos um esforço na alteração dos nossos hábitos no sentido de uma utilização mais eficiente da energia, estaremos a contribuir para um mundo melhor e para a redução das emissões de gases com efeito de estufa”.

E destaca Paula Fonseca que “está a ser criada uma base de dados europeia de consumos eléctricos no sector doméstico e desenvolvido um software que irá auxiliar os consumidores na selecção e operação adequada dos equipamentos domésticos, permitindo-lhes a avaliação das economias de energia eléctrica”.

No trabalho da FCTUC, uma espécie de ranking organiza os países segundo a opção por aparelhos eficientes. A Dinamarca e a Noruega estão no topo, Portugal surge a meio da tabela, à frente da Grécia e dos países de Leste e a par da França e da Itália.

Os resultados do projecto REMODECE vão ser divulgados na próxima segunda-feira, dia 29 de Setembro, num workshop que irá decorrer no auditório da Comissão de Coordenação da Região, em Coimbra. No evento serão também apresentadas opções para melhorar a eficiência energética dos principais equipamentos utilizados no sector residencial, bem como tecnologias inovadoras disponíveis no mercado para iluminação, electrodomésticos e climatização.

Com um orçamento global de um milhão e meio de euros, o REMODECE envolveu, além de Portugal, 11 países da Europa – Bélgica, Bulgária, República Checa, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Noruega e Roménia. Em cada país, uma equipa ficou responsável por desenvolver o estudo, tendo o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da FCTUC coordenado o projecto a nível europeu. O REMODECE foi financiado em 50 por cento pela União Europeia no âmbito do Programa Energia Inteligente.

Carlos Costa
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Re: Portugal podia evitar emissão de dois milhões de toneladas de CO2

Mensagem por JoTa_9 em 29th Setembro 2008, 22:20

Já se sabe que há interesses inerentes a estas questões.
A isto juntanto um enorme complexo e por vezes, embora já inaceitável hoje em dia, falta de informação acerca dos propósitos das coisas.
Muito boa gente tem medo de fazer investimentos, de pagar mais agora..mesmo que isso lhe traga vantagens para o futuro
É uma questão de mentalidade! Smile
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JoTa_9
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