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Pergunta sobre gravidade

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Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 3rd Dezembro 2010, 02:32

Gostaria de expor uma dúvida:
Se a gravidade é "ocasionada" pelos "Grávitons", como é possível que estes sejam emitidos por buracos-negros (os entes naturais que apresentam o campo gravitacional mais forte que existe, não permitindo nem mesmo que a própria luz lhes escape)?
Esclarecendo mais a pergunta: Se, teoricamente, nada consegue escapar de um buraco-negro, como é possível que Grávitons sejam emitidos por eles?
Essa dúvida cria um contrasenso: ou não existem buracos-negros da forma como costumamos entendê-los, ou a gravidade não deriva da emanação de Grávitons.
Isso tem sentido?

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Carlos Costa em 3rd Dezembro 2010, 16:50

Os buracos negros emitem gravitões e radiação, tal como foi proposto por Hawking. Até mesmo os buracos negros se "evaporam".

Vale a pena dizer que os gravitões ainda não têm a sua existência confirmada. Permanece apenas como uma previsão da Teoria da Relatividade Geral.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 3rd Dezembro 2010, 18:10

Olá Carlos,
Obrigado por sua resposta.
De fato, Hawking apresentou um estudo na década de 70 que demonstra como os buracos negros "evaporam".
Entretanto isso se dá por um processo meio que "indireto", partindo-se, principalmente, das partículas virtuais existentes no espaço próximo aos buracos-negros. Os pares de partículas virtuais ali existentes se transformam em reais (partícula e correspondente antipartícula) devido ao fortíssimo campo gravitacional do "Destruidor". Algumas "caem" no buraco e outras eventualmente escapam. Ou seja, o buraco-negro somente perderá massa devido às antipartículas que porventura venham a"cair" nele. Ou seja, até onde eu saiba, Hawking não afirma que a matéria da dita "evaporação" é expelida diretamente da massa do buraco-negro. Também não tenho notícas de ele tenha se referido a supostas emissões de Grávitons por buracos-negros.
E mesmo que ele tenha falado sobre isso, precisa explicar como funciona esse paradoxo: nada escapa de um buraco-negro, nem mesmo a luz. Entretanto os Grávitons conseguem. Por que? O que diferencia os Grávitons?
Particularmente não acredito na existência dessas partículas portadoras da força gravitacional.
Mas afinal de contas, o que vem a ser a "Gravidade"?
Grande abraço.


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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Saibot em 4th Dezembro 2010, 02:58

A gravidade é apenas um sub-produto da deformação do espaço-tempo na presença de massa ou energia.
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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 5th Dezembro 2010, 00:49

Oi Saibot. Tudo bem?
A Teoria da Relatividade Geral apresenta o fato de que a massa "encurva" o espaço-tempo, entretanto ela não explica o processo, ou seja, ela não mostra o que constitui o espaço-tempo, nem apresenta os motivos que levam a massa a distorcê-lo.
O que leva a massa a causar esse "encurvamento"?
Ou seja não podemos simplesmente que a massa "encurva" o espaço-tempo. Se encurva, o que a massa possui para fazer isso? E também, de que é constituído o espaço-tempo para ser encurvado pela presença de matéria?
Isso não é explicado pela Teoria da Relavidade Geral.
Abraço.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Carlos Costa em 5th Dezembro 2010, 21:12

Olá arquiteto,

O universo é, espacialmente, bidimensional por natureza. É a massa e energia que adicionam uma terceira dimensão: profundidade. A massa pode ser definida por energia concentrada, enquanto que a energia é... ainda ninguêm sabe. Surprised

Podemos também dizer que a gravidade não "existe" como uma força independente. Ou seja, não é a gravidade que me empurra para o centro da Terra, mas sim o espaço-tempo à volta do meu corpo. Da mesma forma, a Lua é atraída para a Terra, e vice-versa, por o espaço-tempo à volta do sistema que empurram os corpos um para o outro.

Abraços.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 6th Dezembro 2010, 00:55

Oi Carlos,
Gostei da sua resposta.
Você já chegou a ter notícias da teoria de Erik Verlinde, um físico holandês que recentemente começou a afirmar que a gravidade não existe como uma força independente?
Ainda não tenho maiores informações sobre ela, mas parece que não corresponde inteiramente à Teoria da Relatividade Geral clássica.
Tudo indica que tem uma relação profunda com a Teoria das Cordas.


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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Safra em 6th Dezembro 2010, 01:22

arquiteto, - Olá, bem vindo ao fórum! Razz - teria uma referência para o estudo dessa teoria?
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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Saibot em 6th Dezembro 2010, 03:55

Já ouvi um físico do Japão dizer o mesmo que o Carlos disse aqui, mas parece ser assim mesmo: o espaço-tempo é que nos empurra para baixo e o nome que damos a essa força é... gravidade. Tudo se atrai mutuamente.
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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 6th Dezembro 2010, 12:10

Olá Safra,

Eu soube a respeito dessa teoria do Erik Verlinde através da própria imprensa comum. Foi veiculada em jornais e pela internet.
Tendo em vista que foi direcionada a um público leigo, a matéria não é profunda e por isso não esclarece muito.
Mas me levantou uma série de questionamentos.
Acho interessante repassar e se vocês encontrarem mais informações seria interessante conhecê-las.


A gravidade existe?

Polêmico físico holandês desafia Newton e propõe novo modelo para explicar por que os objetos caem

Publicado em 17/07/2010 | THE NEW YORK TIMES - TRADUÇÃO: THIAGO FERREIRA

Origem: GAZETA DO POVO

É difícil imaginar um aspecto mais fundamental e ubíquo da vida na Terra do que a gravidade, desde o momento você dá o primeiro passo e cai sentado sobre a fralda até o lento surgimento de rugas e flacidez da pele e o murchar dos sonhos.
Mas e se tudo for apenas uma ilusão, uma espécie de enfeite cósmico, ou um efeito colateral de algo que se passa nos níveis mais profundos da realidade?
É no que acredita Erik Verlin de, 48 anos, respeitado teórico das cordas e professor de Física da Universidade de Amsterdã, cuja alegação de que a gravidade é na verda de uma ilusão tem causado certo rebuliço entre a comunidade de físicos, ou pelo menos entre aqueles alegam entendê-la.
Revertendo a lógica de 300 anos de ciência, o físico argumentou em um recente trabalho intitulado “Sobre a Origem da Gravidade e as Leis de Newton” que a gravidade é uma consequência das veneráveis leis da termodinâmica, que descrevem o comportamento do calor e dos gases.
“Para mim, a gravidade não existe”, disse Verlinde, que esteve recentemente nos Estados Unidos para se explicar. Não que ele não possa cair, mas Verlin de está entre um grupo de físicos que diz que a ciência esteve olhando para a gravidade de forma errada e que há algo mais básico, a partir do qual a gravidade “surge”, assim como os mercados de ações surgem a partir do comportamento coletivo dos investidores individuais e a elasticidade surge da mecânica dos átomos.
Olhar para a gravidade a partir desse ângulo, de acordo com eles, poderia fornecer alguma luz sobre questões cósmicas problemáticas do momento, como a energia escura, um tipo de antigravidade que parece estar acelerando a expansão do universo, ou a matéria escura, que supostamente é necessária para manter as galáxias unidas.
O argumento de Verlinde se assemelha a algo possível de ser chamado de teoria “dia de cabelo ruim” da gravidade. Tal teoria funciona mais ou menos assim: o cabelo encrespa no calor e umidade, porque há mais formas dele, cabelo, ficar encaracolado do que reto, e a natureza gosta de opções. Logo, seria necessária uma força para deixar o cabelo reto e eliminar as opções da natureza.
Esqueça o espaço curvo ou a atração a uma distância, descritas bem o suficiente pelas equações de Isaac Newton para nos permitir navegar pelos anéis de Saturno. A força que chamamos de gra vidade é simplesmente um subproduto da tendência da natureza de maximizar a desordem.
Alguns dos melhores físicos do mundo dizem não entender o trabalho de Verlinde e muitos são declaradamente céticos. Mas alguns desses mesmos físicos dizem que ele forneceu uma nova perspectiva para algumas das questões mais profundas da ciência, em outras palavras, o porquê de espaço, tempo e gravidade existirem – apesar do cientista ainda não tê-las respondido.

Dando cordas

Verlinde, todavia, não é o melhor candidato para defender a teoria até o fim. Ele e seu irmão Herman, um professor de Princeton, são gêmeos ilustres que ganharam mais fama pelo domínio da matemática da teoria das cordas do que por voos filosóficos.
Nascidos em Woudenberg, Holanda, em 1962, os gêmeos se inspiraram em dois programas de televisão dos anos 1970 sobre física de partículas e buracos negros. “Eu fiquei completamente vidrado”, lembra Verlinde.
Sua primeira aparição brilhante no mundo acadêmico foi quando inventou a Álgebra Verlinde e a fórmula Verlinde, que são importantes na teoria das cordas, a chamada teoria de tudo, que diz que o mundo é composto de pequenas cordas retorcidas.
Você pode se perguntar por que um teórico de cordas está interessado nas equações de Newton. Afinal, Newton foi derrubado há um século por Einstein, que explicou a gravidade como dobras na geometria do espaço-tempo. E que alguns estudiosos acham que poderá ser derrubado pelos teóricos das cordas.
Nos últimos 30 anos, a gravidade está sendo “despida”, nas palavras de Verlinde, de sua condição de força fundamental. Verlinde teve esta inspiração por cortesia de um ladrão.
Quando estava prestes a voltar para casa de férias no sul da França em meados do ano passado, um ladrão entrou em seu quarto e roubou seu laptop, chaves, passaporte, tudo. “Eu tive que permanecer mais uma semana”, ele disse, “e tive essa ideia”.
Na praia, seu irmão re cebeu uma série de e-mails primeiro dizendo que teria que ficar mais tempo, depois dizendo que ele teve uma nova ideia e, finalmente, no terceiro dia, dizendo que ele sabia como derivar as leis de Newton a partir dos primeiros princípios, a ponto de Herman dizer ter pensado: “O que está acontecendo? O que ele anda bebendo?”
Pense no Universo como uma caixa de letras de Scrabble (jogo que consiste de palavras cruzadas em um tabuleiro). Há apenas uma forma de arranjar as letras para soletrar uma pa lavra correta, mas um número astronômico de formas para se soletrar ‘’palavras’’ sem sentido. Sacuda a caixa e ela tenderá a gerar palavras sem sentido, a desordem aumentará e a informação será perdida à medida que as letras se misturam na direção de suas configurações mais prováveis. Seria isso a gravidade?
Verlinde reconhece que o trabalho resultante é um pouco vago. “Essa não é a base de uma teoria. Eu não finjo que isto é uma teoria. As pessoas devem ler as palavras que estou dizendo e não os detalhes das equações”, explicou Verlinde.
John Schwarz, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, um dos pais da teoria das cordas, disse que o estudo é “muito provocador”. Smolin, por sua vez, o classificou como “muito interessante e também muito incompleto”.

Incompreensível

Em um recente workshop no Texas, Raphael Bousso, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, liderou uma discussão a respeito do estudo. “O resultado final foi que ninguém o entendeu, incluindo pessoas que inicialmente achavam que ele fazia sentido. De qualquer forma, o trabalho de Erik chamou atenção para uma pergunta genuinamente profunda e importante, e isso é bom”, prosseguiu Bousso, “eu apenas não acho que sabemos mais sobre como isso funciona após o trabalho de Erik. Há muitos trabalhos sobre o assunto, mas ao contrário de Erik, eles nem mesmo entendem o problema”, disse Bousso em um e-mail.
Os irmãos Verlinde agora es tão tentando reformar essas ideias utilizando termos mais técnicos da teoria das cordas, e Erik tem viajado bastante, tendo visitado em maio o instituto Perimeter e à Universidade Stony Brook, em Long Island, para falar sobre o fim da gravidade.
Michael Douglas, um professor em Stony Brook, descreveu o trabalho de Verlinde como “um conjunto de ideias que possui eco na comunidade, acrescentando que “todos estão aguardando para ver se é possível torná-lo mais preciso”.
Ele também revelou que amigos o encorajaram a ir além e que não lamenta. “Se ficar provado que estou errado, algo servirá de lição disso tudo. Ignorar esse fato seria a pior coisa”.
No dia seguinte, Verlinde deu uma palestra mais técnica para alguns físicos na cidade. Ele lembrou que alguém tinha lhe contado que a história da gravidade parecia a das novas roupas do imperador. “Nós sabemos há muito tempo que a gravidade não existe. Chegou a hora de gritar isso para que o mundo também saiba”, finaliza Verlinde.

link da matéria:
http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/conteudo.phtml?tl=1&id=1026021&tit=A-gravidade-existe

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Safra em 6th Dezembro 2010, 14:26

Há apenas uma forma de arranjar as letras para soletrar uma palavra correta, mas um número astronômico de formas para se soletrar ‘’palavras’’ sem sentido. Sacuda a caixa e ela tenderá a gerar palavras sem sentido, a desordem aumentará e a informação será perdida à medida que as letras se misturam na direção de suas configurações mais prováveis.-Isso não é energia?- Seria isso a gravidade?
Verlinde reconhece que o trabalho resultante é um pouco vago. “Essa não é a base de uma teoria. Eu não finjo que isto é uma teoria. As pessoas devem ler as palavras que estou dizendo e não os detalhes das equações”, explicou Verlinde


Ele fez um conceito bem interessante, só que isto admite um conceito que a deixa confusa, a lógica por traz desse efeito termodinâmico que ilustraria o que chamamos de gravidade. Essa idéia é muito confusa de definir, mas, muito fácil de determinar que existe - o que ele fez -.

Não digo se ele está certo ou errado, ele está tendo o mesmo problema que nós temos em definir energia.

Leia essa descrição acima,verá que ele conceitua a gravidade como uma variação de outra energia, pois a descrição é muito coerente com energia e com os problemas ao descrever.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 6th Dezembro 2010, 15:08

Oi Safra,
Eu acho que compreendi esse texto de forma um pouco diferente.
Pelo que está parecendo, Verlinde acredita que a gravidade seria um efeito de reação aos processos entrópicos.
Cito a seguinte passagem do texto:
"O argumento de Verlinde se assemelha a algo possível de ser chamado de teoria “dia de cabelo ruim” da gravidade. Tal teoria funciona mais ou menos assim: o cabelo encrespa no calor e umidade, porque há mais formas dele, cabelo, ficar encaracolado do que reto, e a natureza gosta de opções. Logo, seria necessária uma força para deixar o cabelo reto e eliminar as opções da natureza.
Esqueça o espaço curvo ou a atração a uma distância, descritas bem o suficiente pelas equações de Isaac Newton para nos permitir navegar pelos anéis de Saturno. A força que chamamos de gravidade é simplesmente um subproduto da tendência da natureza de maximizar a desordem".
É bem verdade que a imagem mental que foi utilizada para descrever a idéia é bem menos sofisticada do que as ideias de Einstein quando falava de elevadores em queda livre e trens se movendo à velocidade da luz. Ademais o texto é muito vago e meio dúbio.
Mas o que eu extraí dessa passagem é que Verlinde considera, primeiramente, que o estado natural da matéria seria de um profundo encurvamento. A matéria teria, por premissa, uma natureza "enovelada". Mas a partir do momento que a energia passa a se expandir a matéria começa a se "abrir" e passa a haver, em resposta, uma espécie de tensão no sentido contrário, com a matéria tendendo a retornar ao seu estado inicial, ou seja, encurvado. Essa tensão em resposta ao processo de expansão da matéria seria a gravidade. Não uma força de ação, mas de reação.
O universo seria, na realidade uma imensa "teia" com pontos de maior "enovelamento" (as estrelas, os planetas, as nebulosas, os sistemas solares etc.) e pontos menos densos onde existiria, apenas, os filamentos de matéria "esticados", unidos aos demais pontos.
Esse pensamento parece interessante, mas também gera algumas questões: se a ideia de Verlinde é essa mesma e eu a estou compreendendo bem, quanto mais entrópico um corpo mais gravidade ele produz. Foi isso que me fez pensar: e quanto aos buracos-negros? Afinal, quanto mais entrópico mais energia o corpo transmite. Em outras palavras, quanto mais entrópico, mais quente ele é. E até onde sabemos, os buracos negros tem uma temperatura próxima do zero absoluto.
É isso mesmo, ou eu estou me confundindo todo?

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Safra em 6th Dezembro 2010, 15:20

É isso mesmo arquiteto.

Percebe que fica confusa essa notação de energia? Acho que precisa de mais tempo de análise.

Creio que ele teorizou uma energia por acidente, e a viu como mais provável a termodinâmica.

Tai a confusão.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Carlos Costa em 6th Dezembro 2010, 15:34

arquiteto escreveu:Você já chegou a ter notícias da teoria de Erik Verlinde, um físico holandês que recentemente começou a afirmar que a gravidade não existe como uma força independente?
Bem, quando eu digo que é o espaço-tempo que me empurra para baixo, estou apenas a reproduzir o que a Teoria da Relatividade Geral nos ensina. A gravidade é apenas a forma como entendemos o funcionamento do universo. Todos os físicos sabem isso.

O mais estranho sobre a gravidade é que se trata da força mais fraca - muito mais fraca - do universo. Ela é tão fraca, quando comparada com as outras, que a Teoria M afirma que a razão para tal é que ela se espalha sobre todo o Multiverso, enquanto que as outras três estão confinadas ao nosso. É algo interessante.

Reparem também que sem a gravidade não haveria vida; é necessária essa força para haver agregados de matéria, de modo a que os elementos colidam uns com os outros - através dos líquidos - para formar moléculas complexas, como o ADN. A questão, então, é a seguinte: a vida é apenas um efeito secundário da acção da gravidade, ou a gravidade é o principal mecanismo que a vida utiliza para poder existir?

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 6th Dezembro 2010, 17:25

Mas caro safra, será que não poderíamos pensar, igualmente, na possibilidade de buracos-negros não existirem no sentido clássico?
Encontrei esta outra matéria do Jornal da Ciência:

"Notícias Segunda-Feira, 06 de dezembro de 2010

JC e-mail 3291, de 25 de Junho de 2007.
18. Buraco negro não existe, diz trio de físicos dos EUA

Pesquisadores propõem solução para enigma elaborado por Stephen Hawking. Estudo é debatido há um ano e passou pelo crivo de publicação rigorosa; autor diz que pode testar idéia em acelerador de partículas


Rafael Garcia escreve para a “Folha de SP”:

Um trio de físicos está propondo uma solução inusitada para um enigma que desafia a ciência há mais de 30 anos.
Tanto a elaboração do problema quanto a solução oferecida são bastante complexos, mas o resultado final de tudo pode ser resumido de maneira simples: buracos negros não existem.
A alegação, afirmam seus autores, é a resposta para um enigma proposto pelo britânico Stephen Hawking, mais conhecido como autor do livro "Uma Breve História do Tempo", portador de uma doença neurológica que o deixou paralisado.
A inexistência dos buracos negros foi proposta por grupo de físicos da Universidade Case, de Cleveland (EUA), em um estudo que já está circulando há alguns meses entre a comunidade de físicos teóricos.
Só agora, porém, o trabalho foi aceito para publicação em uma revista com um crivo rigoroso, a "Physical Review D".
Com 15 páginas cheias de equações e diagramas, Dejan Stojkovic, Lawrence Krauss e Tanmay Vachaspati detalham a sua proposta de solução para o que os físicos conhecem como o "paradoxo da informação".
O problema está ligado à natureza dos buracos negros, objetos cósmicos tão maciços que sua gravidade captura tudo o que está em volta e não deixam escapar nada -nem mesmo a luz.
Segundo a concepção clássica, buracos negros são produzidos quando uma estrela maciça demais implode. Toda sua massa fica concentrada em um ponto de dimensão zero, chamado de "singularidade".
Nada que se aproxime além de uma certa fronteira, chamada de "horizonte de eventos", escapa à fome do mostro.

Morte impossível

O problema é que esse conceito entra em conflito com a física quântica, conforme o paradoxo proposto por Hawking em 1974. Segundo ele, um buraco negro não é um monstro imortal que só faz crescer.
Se esses objetos cósmicos ficarem muito tempo sem nada para engolir, eles acabam perdendo massa na forma de radiação e finalmente morrem.
O problema é que essa morte aniquilaria toda a informação contida na matéria engolida pelo buraco negro. Isso vai contra leis básicas da física quântica, segundo a qual a informação pode ser transformada, mas nunca aniquilada.
Ao propor que buracos negros não existem, o grupo de Krauss oferece uma solução para o enigma.
"Se estivermos corretos, nenhuma informação será perdida ao atravessar o horizonte de eventos de um buraco negro, porque esse horizonte jamais se formaria", disse Krauss à “Folha de SP”.
"Nós tivemos um bocado de discussão com muitos colegas, e muitos deles estão céticos, mas até agora ninguém conseguiu oferecer uma razão definitiva pela qual isso não esteja correto."
Apesar aceito pela "Phisical Review", porém, o novo estudo ainda deve passar pelo crivo da comunidade científica para deixar de ser tido como proposta intelectualmente isolada.
Segundo o físico Daniel Vanzella, professor da USP de São Carlos, não é a primeira vez que alguém postula a inexistência de buracos negros.
Mas, na maioria das vezes em que isso ocorreu num passado recente, físicos não demoraram a encontrar erros em contas ou problemas de interpretação nos estudos.
"Na minha opinião, esse trabalho merece uma análise mais cautelosa", afirma. "Certamente a comunidade vai olhar com carinho e cuidado esse paper [estudo]."
O físico Marcelo Gleiser, professor do Dartmouth College (EUA) e colunista da “Folha de SP”, classificou o novo trabalho como "interessante" e "elegante", mas "inconclusivo".
"Talvez seja um passo na direção certa, mas falta muito para se concluir se de fato não existe paradoxo de informação", afirmou. "Como todas as novas idéias em ciência, ainda é cedo para concluirmos algo de concreto."

Buraco mais embaixo

Como afinal de contas o grupo de Krauss (também conhecido com autor de livros de ciência para leigos, como "A física de Jornada nas Estrelas") conseguiu "destruir" os buracos negros? E que são, afinal, os objetos escuros e maciços que os astrônomos acreditam ser buracos negros?
"Estamos propondo que objetos colapsados que parecem ser buracos negros nascentes, na verdade, não vão se contrair além de seus próprios horizontes de eventos, e portanto não se tornarão buracos negros verdadeiros", diz Krauss.
Segundo ele, a matéria concentrada no local evaporaria toda na forma de radiação, assim como Hawking previu, só que antes de o buraco negro se formar. O que existiria, então, é uma espécie de "quase-buraco negro".
"Mas nossos resultados são mesmo sugestivos, não conclusivos", afirma o físico americano. "Mandamos o artigo para o Stephen [Hawking], mas ele ainda não respondeu."
Segundo Gleiser, um dos problemas de extrair muitas interpretações do novo artigo é que os autores usam um modelo matemático "muito idealizado" para descrever o colapso de um estrela, um fenômeno extremamente complexo.
"Uma estrela é maciça, e eles pegam um sistema muito mais simples que isso, que é como se fosse uma casca esférica colapsando", diz Vanzella.
Além da simplificação, Krauss interpretou seus cálculos da perspectiva de um observador externo, para solucionar um problema ligado à teoria da relatividade.
"Um observador longe de um objeto em colapso o veria "congelar" à medida que começasse a se aproximar do limite de se tornar um buraco negro", explica.
"O relógio de um observador externo anda num ritmo diferente daquele de alguém que está caindo lá."
Segundo os autores, a conclusão poderá ser testada no LHC, o mega-acelerador de partículas a ser inaugurado em 2008. Essa maquina será capaz de produzir minúsculos buracos negros (ou o que quer que sejam).

O tipo de radiação que emitirem revelará o que são.
(Folha de SP, 23/6)


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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Carlos Costa em 6th Dezembro 2010, 18:00

arquiteto escreveu:será que não poderíamos pensar, igualmente, na possibilidade de buracos-negros não existirem no sentido clássico?
Isso já é especulação, arquiteto. Está comprovado que existem buracos negros. Se não aceitarmos esse facto, não podemos aceitar o método científico e, em última análise, não podemos aceitar a ciência.

Não se pode ignorar certos factos para que uma nova teoria tenha sucesso. A nova teoria tem de explicar todos os factos conhecidos e não simplesmente ignorá-los.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 6th Dezembro 2010, 18:30

Olá Carlos,
Desculpe-me, eu não quis abrir uma especulação vazia. Postei, inclusive um texto referente ao trabalho de um grupo de físicos que estuda atualmente essa proposta de que os buracos-negros que se conhecem hoje, não seriam buracos-negros no sentido clássico e, sim, "quase" buracos-negros.
Não estou afirmando, nem discordando. Estou tentando, apenas, abrir espaço para outras possibilidades dentro do que for possível, evidentemente.
Pode até ser que já exista uma comprovação formal de que os buracos-negros existem realmente, mas até onde sei foram encontrados apenas corpos que apresentam os maiores campos gravitacionais já observados e que correspondem ao máximo aos buracos-negros previstos pela Teoria da Relatividade Geral.
Não sou do tipo que fica instigando discussões sem sentido.
Na realidade estou querendo somente conhecer um pouco mais e, por isso, apresento essas minhas dúvidas a quem estuda o assunto mais à fundo, ou seja, a vocês físicos.
Abraço e desculpe qualquer intransigência.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Carlos Costa em 7th Dezembro 2010, 14:28

Eu sei, arquiteto, estava apenas a demonstrar como o método científico funciona. Nada de mais. Continua a lançar dúvidas, debates e ideias. Smile

Na minha opinião, o conteúdo do artigo que colocaste não tem validade. No entanto, eu não sou o dono da "verdade" e por isso vamos ver o que o Safra e os outros membros dizem sobre o mesmo.

Abraço.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por arquiteto em 7th Dezembro 2010, 15:04

Ufa, Carlos! Que bom ler isso!
Pensei que havia cometido uma "gafe".
Não quero ficar parecendo com alguns chatos que surgem o tempo todo propondo coisas absurdas e que ficam numa teimosia sem fim sobre teorias non-sense.
Esse artigo que enviei por último apresentava um estudo com data de 2007. Não sei de seus desdobramentos. Talvez não tenha dado em coisa alguma.
Mas eu o li quando tinha acabado de ler o outro do Vinlander. Fiquei, então, "mirabolando" essas "esquisitices" e resolvi perguntar a quem entende se isso poderia ter algum sentido.
De qualquer forma, tenho gostado das discussões.
Não sei se alguém pensa diferente, mas de qualquer forma, já lancei á pergunta.
Abraço a todos.

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Re: Pergunta sobre gravidade

Mensagem por Safra em 7th Dezembro 2010, 15:35

será que não poderíamos pensar, igualmente, na possibilidade de buracos-negros não existirem no sentido clássico?
Então, não seria um buraco-negro. Temos a definição, temos evidências, se houver algo que não é coerente de modo a anular todos os conceitos, não é um buraco-negro.

Por isso insisti lá, estão defenindo um tipo de energia a partir da observação, só que, estão em base o que conhecem e não o que desconhecem.(Lógico, definir algo observável sem saber o que é, é algo desconhecido).

Creio que acertaram um conceito que não existe, e estão teimando em dizer que buracos-negros não existem por descobrir o conceito que não é aplicado aos mesmos.

Em suma, estão tentando apagar o fogo com gasolina.

Nem é preciso de muita física complexa para descobrir isso, é só perceber as incoerências que você notou na teoria e algumas definições apresentadas, com o básico do básico da física, definição de energia.


Pensei que havia cometido uma "gafe".
Não quero ficar parecendo com alguns chatos que surgem o tempo todo propondo coisas absurdas e que ficam numa teimosia sem fim sobre teorias non-sense.
Nada, pode falar, é só saber dosar que nós ajudamos!
Esse artigo que enviei por último apresentava um estudo com data de 2007. Não sei de seus desdobramentos. Talvez não tenha dado em coisa alguma.
É bem provável.
Mas eu o li quando tinha acabado de ler o outro do Vinlander. Fiquei, então, "mirabolando" essas "esquisitices" e resolvi perguntar a quem entende se isso poderia ter algum sentido.
Sentido tem, só que não conseguiram definir esse sentido.


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