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2011 - Ano Internacional da Química

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2011 - Ano Internacional da Química

Mensagem por Carlos Costa em 3rd Janeiro 2011, 15:09

As Nações Unidas designam 2011 como o Ano Internacional da Química.

Este tópico fica como fixo durante todo o ano de 2011. Coloquem novidades e informações sobre as comemorações e atividades relacionadas com o assunto.


Última edição por Carlos Costa em 23rd Dezembro 2011, 17:45, editado 1 vez(es)

Carlos Costa
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Re: 2011 - Ano Internacional da Química

Mensagem por Carlos Costa em 7th Janeiro 2011, 15:44

O site Química 2011 é inteiramente dedicado ao Ano Internacional da Química. Está muito bom e tem muitas informações.

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Re: 2011 - Ano Internacional da Química

Mensagem por Carlos Costa em 12th Janeiro 2011, 16:20

1 – Aproveitamento da energia solar
Os combustíveis fósseis que vimos utilizando são o resultado da energia solar armazenada durante milhões de anos à superfície da Terra. O maior desafio deste século será a substituição dos combustíveis fósseis por fontes de energia mais sustentáveis e menos poluentes, em especial di-hidrogénio, obtido a partir da água, e metanol, a partir da água e dióxido de carbono. Estes compostos são já utilizados em pilhas de combustível, que produzem energia e libertam água, em vez de dióxido de carbono, como sucede com os combustíveis fósseis. A produção de biocombustíveis, como a obtenção de etanol a partir da celulose, é outro caminho em estudo em vários países.

2 – Procura de novos catalisadores
Para que as reacções químicas sejam úteis é necessário que sejam tão completas e tão rápidas quanto possível. Na esmagadora maioria dos casos é necessário utilizar catalisadores e a sua descoberta é uma importantíssima tarefa que cabe aos químicos. A cisão da água e a síntese de numerosos compostos, em condições económicas, exige a presença de catalisadores duradouros, que devem ser obtidos a partir de materiais baratos e não poluentes.

3 – Síntese de novas moléculas
A necessidade de combater a doença lembra a todos nós a importância de isolar produtos naturais e sintetizar moléculas com propriedades terapêuticas adequadas. O estudo do funcionamento de muitas substâncias no nosso organismo exige muitas vezes a síntese de compostos com estrutura adequada, mais simples, para que o seu comportamento seja comparado com o que se passa no nosso organismo. Quem é capaz de sintetizar os mais variados tipos de moléculas?

4 – Produtos úteis a partir da biomassa
As biomassas provenientes de fontes renováveis e o carvão eram as matérias-primas mais utilizadas no passado, em especial como fonte de energia, e em certos casos como matéria-prima na indústria. Actualmente, utiliza-se o petróleo e o gás natural, maioritariamente como combustíveis e, em menor escala, na produção de produtos químicos de base, como etileno, propileno, estireno e muitos outros, necessários para fabricar produtos acabados, como objectos em plástico, pneus, fibras, tintas, vernizes e muitos outros. O grande desafio é voltar a utilizar a biomassa renovável na produção de substâncias úteis, tal como a Química Orgânica faz com o petróleo, com evidentes vantagens ambientais.

5 – Produção de materiais mais verdes
O século XXI será o século da “química verde”, isto é, de uma química que se baseia em processos de síntese limpos, sem subprodutos prejudiciais ao ambiente, aproveitando os resíduos do presente como matéria-prima do futuro.

6 – Biociências
A interdisciplinaridade entre a Química e a Biologia, isto é, a interacção entre químicos e biólogos tem já levado à descoberta e aperfeiçoamento de técnicas para novos modos de estudo dos sistemas biológicos a nível molecular. A nova disciplina de Biologia Química, que trata do estudo dos efeitos de pequenas moléculas em processos biológicos, constitui mais uma oportunidade para o trabalho dos químicos.

O estabelecimento do genoma humano, determinando a sequência de bases do DNA humano, constituiu um êxito da química, da bioquímica e de disciplinas afins e abriu perspectivas para posteriores trabalhos, nomeadamente na investigação da estrutura e funções de cada proteína. O estudo das relações entre estrutura e função das proteínas é importante para a compreensão das doenças e produção de vários medicamentos.

A biotecnologia, ou seja, a utilização de agentes biológicos (organismos, células, moléculas e outros) para obter novos produtos ou assegurar serviços é uma importante área da Ciência. O etanol, o biogás, o butanol, a acetona, o glicerol, vários ácidos e enzimas podem ser obtidos por meios biotecnológicos. No meio ambiente, a recuperação de petróleo, o tratamento de lixos e a purificação da água são também possíveis por processos biotecnológicos. Em todos estes processos os químicos podem dar importantes contribuições.

7 – Captura do dióxido de carbono
O aumento crescente da percentagem de dióxido de carbono na atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis está a provocar o aquecimento da atmosfera terrestre, causando tremendos problemas climáticos. As florestas são sumidouros naturais, mas a sua capacidade de absorção do dióxido de carbono é insuficiente para evitar o aumento da concentração deste gás na atmosfera. Fala-se em armazenar o dióxido de carbono enviado para a atmosfera em minas abandonadas, mas esta solução faz-mos lembrar “varrer para debaixo do tapete”. Os químicos têm procurado soluções mais eficientes, como a captação de dióxido de carbono na síntese de policarbonatos (compostos carbonados não voláteis). Um exemplo é a obtenção de um polímero obtido por reacção do óxido de limoneno com o dióxido de carbono, na presença de catalisadores especiais.

Este trabalho mereceu grande destaque na imprensa, sendo referido como um método de produzir um plástico a partir de cascas de laranja, dado quer o limoneno é um insecticida natural existente na casca dos citrinos. No entanto, deve referir-se que o facto de uma substância ser natural não significa que seja menos nociva que uma sintética. Por exemplo, o insecticida natural rotenona, apesar de ser mais nocivo para as pragas do que para os humanos, é mais tóxico que muitos insecticidas de síntese e acabou por ser proibido, em 2005, nos Estados Unidos, Canadá, França e outros países por ser muito tóxico para os peixes e suspeito de estar ligado à doença de Parkinson.

8 – Agroquímica
No domínio da agricultura o químico encontra um vasto terreno para a sua actividade, na síntese de novos fertilizantes, como os “adubos inteligentes”, que só libertem azoto à medida que a planta necessita e de pesticidas mais selectivos, como os “pesticidas verdes”, eficientes no combate a pragas mas inócuos em relação a insectos úteis e ao homem. É um campo imenso que se abre aos futuros químicos.

9 – Nanotecnologia
As nanopartículas são partículas sólidas com uma ou mais dimensões da ordem de 10 a 1000 nm (nanómetros) e apresentam propriedades novas e diferentes do material no seu conjunto. Os nanomateriais resultam do crescimento das nanopartículas, como os nanotubos de carbono, com diâmetro de cerca de 3 nm apresentam propriedades diferentes dos outros halótropos de carbono, como a grafite e o futeboleno.

As propriedades magnéticas, eléctricas, térmicas e mecânicas dos materiais podem ser modificadas por introdução de nanopartículas adequadas. As suas aplicações são muito variadas, tendo até sido utilizadas ligadas a moléculas para regular a entrada de medicamentos no organismo e restringir o seu acesso a determinados locais. Estas partículas podem obter-se por reacções químicas entre partículas (iões e moléculas) que se vão combinando até se formarem agregados de dimensão suficiente. Podem, também obter-se de materiais já polimerizados, como proteínas, polissacáridos e polímeros de síntese. Os químicos, com os seus conhecimentos sobre colóides e reacções de polimerização, estão certamente habilitados a intervir no fabrico das nanopartículas por processos húmidos.

10 – Novos instrumentos científicos
A Química, a Bioquímica e a Biologia utilizam presentemente sofisticadas técnicas analíticas que exigem quantidades muito diminutas de substância e que assentam em princípios desenvolvidos por físicos e aplicados por químicos nos seus trabalhos, como a espectroscopia de ultravioleta, de infravermelho, de fluorescência e Raman, a fotometria de absorção atómica, a cromatografia líquida de alta eficiência e de fase gasosa, a ressonância magnética nuclear, a espectrometria de massa e outras. Aqui, também, os químicos terão um papel importante no desenvolvimento das novas técnicas que vão sendo necessárias ao desenvolvimento destas Ciências. Podem, até, exercer funções técnicas e comerciais no lançamento de novos aparelhos e apoio a clientes.

11 – Satisfação no estudo e ensino da Química
Seleccionados estes dez desafios para enveredar pela profissão de químico (químico propriamente dito, bioquímico, farmacêutico ou engenheiro químico), muitos mais se poderiam citar. Acima de tudo, ser químico dá um inimaginável gozo ao ver uma reacção prosseguir, ao descobrir um novo composto, ao ver um produto cristalizar, ao ver uma explosão. Ser professor de química é uma profissão encantadora; conviver com a juventude, ensiná-la a observar os fenómenos químicos da Natureza, a interrogá-la, a interpretar as suas respostas e prever novas reacções é um desafio constante para quem ensina e aprende.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=46870&op=all

Carlos Costa
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