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Strangelet

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Strangelet

Mensagem por Carlos Costa em 29th Janeiro 2008, 22:12

Vejam bem o que uma simples partícula pode provocar ao universo. Neste artigo podemos ler sobre ela:





Atualmente sabemos que os blocos fundamentais que constituem a matéria são os quarks, classificados em seis tipos: u, d, s, c, t, e b. A matéria normal é formada apenas por quarks u e d. Os demais quarks aparecem, por exemplo, nos processos de colisões de partículas a altas energias em aceleradores ou raios cósmicos. No estado normal da matéria, esses quarks ficam confinados dentro dos núcleons (prótons e nêutrons) e não são observáveis.

O quark s carrega uma espécie de carga chamada ‘estranheza’, descoberta nos anos 50. Dentro da teoria que descreve a dinâmica dos quarks (cromodinâmica quântica), foi prevista a possibilidade de que, se a matéria tivesse os quarks s – além dos tipos u e d –, ela se tornaria mais estável, quando submetida a uma densidade extremamente alta. Para se ter uma idéia, um centímetro cúbico dessa matéria pesaria cerca de 10 bilhões de toneladas. Nessa densidade, os quarks confinados no interior dos núcleons seriam liberados no espaço e a matéria passaria a ser formada de quarks individuais.

Esse estado da matéria é chamado ‘a matéria de quarks estranha’ e uma pequena porção dessa matéria estranha é chamada de strangelet (gotinha de estranheza). O strangelet, assim como a matéria normal, pode ter tamanho arbitrário e, quanto maior for, mais estável se torna. Se tiver tamanho microscópico, o strangelet é bem instável e se transforma rapidamente na matéria usual.

Para criar essa matéria estranha, deve haver uma compressão extraordinária da matéria, como ocorre dentro de uma estrela superdensa, como as estrelas de nêutrons e de quarks. O strangelet também pode ser criado no cenário de Big Bang do universo primordial. Alguns autores associam esse tipo de strangelet (strangelet cosmológico) à matéria escura que compõe o universo, cuja natureza ainda não conhecemos.

Outra possibilidade de criar o strangelet é pela colisão de íons pesados submetidos à energia ultra-relativística, como nos aceleradores de partículas RHIC, do Laboratório Nacional de Brookhaven (Estados Unidos), e o LHC, do Centro Europeu de Física de Partículas (Cern), na Suíça. Nos experimentos realizados no RHIC nos últimos cinco anos, não foi detectado sinal de formação de strangelet, apesar da abundante produção de partículas elementares com carga de estranheza.

Uma das possíveis propriedades dessa hipotética porção de matéria (strangelet) é que, ao interagir com a matéria usual, poderia absorvê-la, transformando-se em um strangelet maior e, conseqüentemente, com maior estabilidade, o que faria o processo continuar indefinidamente, aumentando cada vez mais a massa do strangelet. Assim, um strangelet poderia engolir toda a matéria normal a sua volta, até se tornar um buraco negro.

Por isso, cada vez que se planeja um novo experimento de colisões nucleares a alta energia, alguns meios de comunicação sensacionalistas costumam questionar se ele poderia desencadear um processo irreversível e levar a uma catástrofe mundial. Isso aconteceu nos anos 70 com o primeiro experimento realizado no acelerador de partículas Bevalac, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (Estados Unidos), assim como com os experimentos no RHIC a partir do ano 2000 e agora com o projeto do LHC programado para o próximo ano.

Embora não se possa provar rigorosamente que essa possibilidade não exista, na opinião da maioria dos físicos ela é muito remota, já que os strangelets microscópicos formados nessas colisões seriam instáveis e, em menos de um milésimo de segundo, se transformariam em matéria comum. Além disso, se fosse possível, já teria acontecido, uma vez que as colisões dessa energia vêm ocorrendo na natureza através de raios cósmicos.


Última edição por em 3rd Fevereiro 2008, 18:22, editado 1 vez(es)

Carlos Costa
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Re: Strangelet

Mensagem por Safra em 29th Janeiro 2008, 23:26

Carlos Costa escreveu:Vejam bem o que uma simples partícula pode provocar ao universo. Neste artigo podemos ler sobre ela:
Atualmente sabemos que os blocos fundamentais que constituem a matéria são os quarks, classificados em seis tipos: u, d, s, c, t, e b.
up, down, strange, charmed , top , botton ( Não passar em branco...)
Carlos Costa escreveu:
Uma das possíveis propriedades dessa hipotética porção de matéria (strangelet) é que, ao interagir com a matéria usual, poderia absorvê-la, transformando-se em um strangelet maior e, conseqüentemente, com maior estabilidade, o que faria o processo continuar indefinidamente, aumentando cada vez mais a massa do strangelet. Assim, um strangelet poderia engolir toda a matéria normal a sua volta, até se tornar um buraco negro.

Por isso, cada vez que se planeja um novo experimento de colisões nucleares a alta energia, alguns meios de comunicação sensacionalistas costumam questionar se ele poderia desencadear um processo irreversível e levar a uma catástrofe mundial. Isso aconteceu nos anos 70 com o primeiro experimento realizado no acelerador de partículas Bevalac, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (Estados Unidos), assim como com os experimentos no RHIC a partir do ano 2000 e agora com o projeto do LHC programado para o próximo ano.

Eu lembro dessa fase, só não me lembro qual experimento que poderia "queimar" a terra inteira, essa foi na fase de "sugar" a terra inteira :lol: (Quanto sensacionalismo...XD!).
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Re: Strangelet

Mensagem por Carlos Costa em 30th Janeiro 2008, 17:37

Não apenas a Terra, mas também o Universo inteiro! Foi uma experiência que ocorreu perto de Nova Iorque. A Seguinte:


Um Big Bang em Nova York

A 50 Km de Nova York, os físicos do laboratório Nacional de
Brookhaven estão prestes a iniciar uma experiência inédita com a
qual pretendem repetir a explosão que criou o Universo há 13 bilhões
de anos. As experiências estão programadas para começar em janeiro,
e destas surgirão formas de matéria exóticas, ainda desconhecidas.
Entre elas uma partícula chamada Strangelet, poderá se materializar
a partir da energia pura, durante a colisão de dois núcleos do átomo
de ouro acelerados a mais de 1 milhão de quilômetros por hora. Isso
gerará uma temperatura superior a 1 trilhão de graus Celsius, 1
bilhão de vezes mais quente do que a superfície do Sol.

A Stangelet nascerá desse inferno e, menos de 1 milésimo de segundo
depois, se desintegrará novamente, e nesse meio tempo ela pode dar
início a uma reação em cadeia. Esse incêndio cósmico dissolveria a
Terra e talvez o Universo todo numa sopa tórrida, como aconteceu no
Big Bang. A hipótese é improvável, se houver riscos, a experiência
será suspensa.

O objetivo dos físicos ao tentarem produzir réplicas do Big Bang no
laboratório é procurar partículas atômicas chamadas quarks, que já
não podem ser encontradas no Universo atual, pois estas subsistem
apenas nas altíssimas temperaturas que prevaleciam no início dos
tempos _ assim como o vapor d' água só existe acima de 100 graus
Celsius e daí para baixo vira líquido. A menos de 1 trilhão de
graus, os quarks mudam de forma.

Na época do Big Bang eles se apresentavam em seis variedades,
batizados de em cima, embaixo, estranho, charmoso, topo e fundo.
Quando a temperatura caiu, as quatro últimas variedades se
desintegraram e as outras duas se converteram em prótons e nêutrons,
sendo o primeiro composto de dois em cima e um embaixo e o segundo,
de dois embaixo e um em cima.

O choque dos núcleos atômicos provocará uma enorme elevação na
temperatura, alguns quarks em cima e embaixo, se transformarão nos
quatro quarks que haviam sido desintegrados (estranho, charmoso,
fundo e topo). A partir da possível junção de três estranhos surgirá
o tão esperado próton, chamado Strangelet, que só existiu durante o
Big Bang. Hoje só há prótons feitos de dois quarks em cima e um
embaixo e nêutrons de dois embaixo e um em cima.

Com isso, os físicos esperam descobrir como essa forma de matéria se
comporta, e no futuro podem aprender a usá-la para fabricar coisas
que hoje são inimagináveis. As informações obtidas durante as
experiências poderiam revelar se a partícula se escondem no centro
dos astros superdensos, chamados estrelas de nêutrons. "Esse parece
ser o lugar em que ela realmente existe no Universo, atualmente."

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Re: Strangelet

Mensagem por Safra em 30th Janeiro 2008, 21:27

Não nos queimamos, nos queimamos?.....Ninguém faria uma experiência desta magnitude, se não houvesse plena segurança que isto não é possível de ocorrer.
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Re: Strangelet

Mensagem por Carlos Costa em 31st Janeiro 2008, 17:02

Safra2008 escreveu:Não nos queimamos, nos queimamos?.....Ninguém faria uma experiência desta magnitude, se não houvesse plena segurança que isto não é possível de ocorrer.
Claro que sim. Só criei este tópico porque achei esta noticia engraçada e para vocês verem o que uma simples partícula pode fazer! É claro que os Físicos Experimentais que conduziram esta experiência sabem o que fazem... Wink

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Re: Strangelet

Mensagem por Newtein em 12th Agosto 2008, 15:40

Exactamente se por ventura eles vissem que algo podesse correr mal eles nao realizariam a experiencia. Para eles o mais importante e a segurança só depois vem as experiencias cientificas.
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Re: Strangelet

Mensagem por Carlos Costa em 12th Agosto 2008, 16:15

Newtein escreveu:Exactamente se por ventura eles vissem que algo podesse correr mal eles nao realizariam a experiencia. Para eles o mais importante e a segurança só depois vem as experiencias cientificas.
Olá Newtein!

Sem dúvida. Existe esse problema no LHC com os buracos negros, mas os físicos profissionais sabem o que fazem. Temos que confiar no seu conhecimento superior de física.

Abraço

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